O que é niilismo?

20/07/2021 às 20:23 Hipnose

O que é niilismo?

Nem sempre conhecido por todos, o niilismo é frequentemente associado ao filósofo Friedrich Nietzsche. Você conhece esse conceito? Dá só uma olhada!

Breve história de Nietzsche

O filósofo Friedrich Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1884 na antiga Saxônia. Sua criação foi em um ambiente religioso, seu pai era pastor luterano na localidade, bem como seu avô e vários parentes. Após a morte de seu pai, Nietzsche muda-se com sua mãe e inicia seus estudos. Chegou a cursar teologia, o que desistiu, o filósofo se dedicou a estudar a filosofia grega pré-socrática, a partir do que desenvolveu diversas críticas às noções de sua época, tais como o eterno retorno, o niilismo, o “Super-homem” e a aceitação da vida, ao invés de viver de acordo com ideias e filosofias negacionistas da vida material.

O niilismo tem seu ponto de distinção nas obras de Nietzsche, apesar de ser uma ideia estudada até mesmo antes do Budismo, e pode derivar do autoconhecimento ou de crises existenciais, entre outros.

O que é niilismo?

A palavra niilismo deriva do Latim nihil, que significa “nada” e é uma doutrina filosófica que atinge as mais variadas esferas do mundo contemporâneo como literatura, arte, ciências humanas, teorias sociais, ética e moral. Sua principal característica é uma visão cética radical e sobretudo pessimista em relação às interpretações da realidade, que aniquila valores e convicções. Seria uma desvalorização e a morte do sentido, a ausência de uma finalidade e de resposta ao “por quê”. Os valores tradicionais são sacudidos e postos radicalmente em discussão.

Pode ser considerado um movimento tanto positivo, por criticar e desmascarar a ausência de fundamento e verdade ou critério absoluto e universal, quanto negativo, quando prevalecem traços destruidores como o declínio, o ressentimento, a incapacidade de avançar, a paralisia, entre outros.

A prática do niilismo consiste em uma expressão “negativa” (de recusa) em relação aos aspectos gerais da existência e acerca do significado da vida.

O niilismo está associado às obras do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, o qual delineou um panorama do niilismo em nossa sociedade ocidental.

Niilismo para Nietzsche

Para Nietzsche, o niilismo também pode ser entendido como a decadência dos valores tradicionais, das criações e imposições de uma civilização em derrocada. Pode ser resumido por sua frase “Deus está morto”. Se chegamos ao ponto de desenvolver o pensamento humano até compreender que Deus não existe pois foi uma construção histórica de grupos específicos, resta apenas ao homem definir os rumos da moral, pois sem a presença de um Deus regulador a moral tradicional carece de fundamento. Desse modo, nossos valores se tornaram insustentáveis e fonte de diversas contradições. O niilismo põe em cheque o status quo da civilização ocidental, decretando sua decadência irreversível. Para evitar a queda total, seria necessário pensar novos valores, que ao romper com os antigos, podem reconstruir a sociedade ocidental sobre novos pilares, abrindo novos horizontes para a instauração de uma nova comunidade de homens livres e senhores de si. Em poucas palavras, então, o niilismo é o processo pelo qual os valores fundamentais da metafísica se revelaram infundados e como tais se aniquilam em sua total inconsistência filosófica.

Niilismo e valores

O termo niilismo é muito utilizado em volta de polêmicas, mas para Nietzsche o termo é empregado para qualificar sua oposição radical aos valores morais tradicionais e às tradicionais crenças metafísicas. Assim, não é somente um conjunto de considerações ou uma crença de que tudo precisa morrer, mas consiste em colocar a mão na massa para destruir esses valores arcaicos que não contribuem para a vivência do indivíduo conectada à sua própria vida e não a um mundo metafísico de ideias. É um profundo trabalho de escavação dos valores, no sentido de superar aqueles que negam a vida.

O intuito de Nietzsche é superar o modus com o qual se constituíram os valores no Ocidente, bem como o de embrenhar-se nessa destruição dos arquétipos que a eles deram origem. Tal superação permitiria a possibilidade de inserir novos valores para os homens, valores humanos e voltados para a satisfação humana. É resultado da contemplação de Nietzsche a morte do Deus critão e a forma como esse conceito metafísico influencia nos valores sociais.

Niilismo e depressão

O niilismo tem sido associado a estados depressivos para explicar o humor desesperado que surge da percepção de uma vida sem sentido ou das arbitrariedades dos princípios humanos e das instituições. Ele pode ser visto como uma condição de tensão constante devido à desproporção entre os valores e necessidades do indivíduo e o modo como o mundo parece operar. Quando descobrimos que o mundo não possui o valor ou significado objetivo que gostaríamos que tivesse, nos encontramos em uma crise.

No niilismo o indivíduo pode se esvaziar do mundo, especialmente do significado da existência humana, do senso de propósito, da verdade pré-estabelecida e dos valores tradicionais.

Tipos de niilismo

A partir do século 20 o niilismo tomou uma série de posições em vários campos da filosofia. A motivação do niilista é ser uma pessoa que negou a existência de verdades ou valores morais genuínos, rejeitou a possibilidade de conhecimento ou comunicação e afirmou a falta de sentido ou a falta de propósito da vida ou do universo. Dessa forma, existem diversas manifestações do niilismo, tais como:

  • Niilismo cósmico: é a posição de que a realidade ou o cosmos é total ou significativamente ininteligível e que não fornece nenhuma base para os objetivos e princípios humanos. Particularmente, pode considerar o cosmos como distintamente hostil ou indiferente à humanidade. Frequentemente está relacionado ao niilismo epistemológico e existencial, bem como ao cosmicismo.
  • Niilismo epistemológico: é uma forma de ceticismo filosófico segundo o qual o conhecimento não existe ou, se existe, é inatingível para os seres humanos. Não deve ser confundido com falibilismo epistemológico, segundo o qual todo conhecimento é incerto.
  • Niilismo existencial: é a posição de que a vida não tem significado ou valor intrínseco. Com respeito ao universo, o niilismo existencial postula que um único ser humano ou mesmo toda a espécie humana é insignificante, sem propósito e improvável de mudar na totalidade da existência. A falta de sentido da vida é amplamente explorada na escola filosófica do existencialismo, onde se pode criar seu próprio significado ou propósito subjetivo. No uso popular, "niilismo" agora se refere mais comumente a formas de niilismo existencial.
  • Niilismo metafísico: é a posição de que objetos concretos e construções físicas podem não existir no mundo possível, ou que, mesmo que existam mundos possíveis que contenham alguns objetos concretos, há pelo menos um que contém apenas objetos abstratos.
  • Niilismo moral: também chamado de niilismo ético, é a posição de que nenhuma moralidade ou ética existe; portanto, nenhuma ação é moralmente preferível a qualquer outra.
  • Niilismo político: é a posição que não possui nenhum objetivo político, exceto a destruição completa de todas as instituições políticas existentes - junto com os princípios, valores e instituições sociais que os sustentam.
  • Niilismo terapêutico: também chamado de niilismo médico, é a posição de que a eficácia da intervenção médica é duvidosa ou sem mérito.

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Referências:

BITTAR, E.C.B. Nietzsche: niilismo e genealogia moral. Revista Direito USP. 2003.

BRAGA, Nietzsche: o filósofo do niilismo e do eterno retorno. Coleção Pensamento & Vida. 2011.


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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