O que é terapia cognitivo-comportamental?

20/06/2021 às 20:03 Hipnose

O que é terapia cognitivo-comportamental?

A psicoterapia tem diversos ramos ou meios de abordar as demandas de saúde mental. Uma das abordagens mais presentes nos estudos científicos e com eficácia demonstrada, a terapia cognitivo-comportamental tem sido utilizada como complementar em diversos tratamentos. Você conhece?

O que é terapia cognitivo-comportamental?

Na década de 1960, Aaron Beck desenvolveu um tipo de terapia que denominou de “terapia cognitiva”, termo atualmente usado como sinônimo de “terapia cognitivo-comportamental”. É um método que foi desenvolvido para intervir no tratamento da depressão. As principais características da terapia cognitivo-comportamental é uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução de problemas atuais e a modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais (inadequados / inúteis).

A terapia cognitivo-comportamental trabalha basicamente com a formulação cognitiva, as crenças e as estratégias comportamentais que caracterizam um transtorno específico. O tratamento também está baseado na conceituação ou compreensão de cada paciente acerca de crenças específicas e padrões de comportamento. Procura produzir uma mudança emocional e comportamental duradoura.

Algumas terapias se derivaram a terapia cognitivo-comportamental de Beck, tais como:

  • terapia racional-emotiva comportamental;
  • terapia comportamental dialética;
  • terapia de solução de problemas;
  • terapia de aceitação e compromisso;
  • terapia de exposição;
  • terapia de processamento cognitivo;
  • sistema de psicoterapia de análise cognitivo-comportamental;
  • ativação comportamental;
  • modificação cognitivo-comportamental; e outras.

A terapia cognitivo-comportamental tem sido adaptada a pacientes de diversos níveis de educação e renda, bem como uma variedade de culturas e idades, desde crianças pequenas até adultos com idade mais avançada. É usada em cuidados primários e outras especializações da saúde, escolas, programas vocacionais e prisões, entre outras contextos.

É um tipo de terapia que pode ser utilizada nos formatos individual, de grupo, casal e familiar. As sessões geralmente têm duração de 45-50 minutos, mas podem ser mais curtas.

Modelo cognitivo

O modelo da terapia cognitiva propõe que o pensamento disfuncional (que influencia o humor e o pensamento do paciente) é algo comum a todos os transtornos psicológicos. Quando as pessoas aprendem a avaliar seu pensamento de forma mais realista e adaptativa, elas obtêm uma melhoria em seu estado emocional e no comportamento.

Crenças

Para que haja uma melhoria no humor e no comportamento do paciente, o terapeuta cognitivo precisa trabalhar em um nível mais profundo de cognição: as crenças básicas do paciente sobre si mesmo, seu mundo e outras pessoas.

A modificação das crenças disfuncionais subjacentes produz uma mudança mais duradoura, por exemplo, a modificação de uma crença geral (ou seja, uma forma de ver a si mesmo de forma mais realista, como alguém que tem pontos fortes e pontos fracos) pode alterar a percepção dos pacientes acerca de situações específicas com que se depara diariamente. Veja como eliminar crenças limitantes.

Conceituação cognitiva

O modelo cognitivo parte da hipótese de que as emoções, os comportamentos e a fisiologia de uma pessoa são influenciados pela própria percepção dos eventos. Dessa forma, a interpretação de uma situação pode levar a pensamentos automáticos que geram uma reação. A conceituação cognitiva ou plano de tratamento é algo a ser constantemente compartilhado com seu paciente para verificar se faz sentido para ele. Solicitar o feedback do paciente fortalece a aliança terapêutica e permite que você conceitua a demanda com mais precisão e conduza o tratamento de forma mais efetiva.

Tomando decisões colaborativamente

Ao mesmo tempo em que você direciona o paciente na terapia, você precisa incentivar que ele participe também. Isso o ajuda a priorizar os problemas para os quais ele deseja solucionar durante a sessão.

Buscando feedback

Verificar sempre com seu paciente como está se sentindo, estar constantemente alerta às reações emocionais do seu paciente durante as sessões, observando as expressões faciais, linguagem corporal, escolha das palavras e tom de voz. Se reconhecer, por exemplo, que o paciente está vivenciando angústia, é preciso fazer referência a isso na hora. A constante troca com o paciente permite o ajuste do tratamento e chegue a resultados eficazes.

Como funciona uma sessão de TCC?

A terapia cognitivo-comportamental tem sessões terapêuticas parecidas para diversos transtornos, mas as intervenções podem variar consideravelmente de paciente para paciente.

Nas primeiras sessões são estabelecidos a aliança terapêutica, checar o humor, os sintomas e as experiências do paciente que ocorreram durante a última semana, nomeando os problemas que mais deseja resolver. Podem ter sido dificuldades que surgiram durante a semana ou podem ser problemas que espera que aconteçam nas próximas semanas.

As sessões também avaliam as atividades “de casa”, atividades de autoajuda e conscientização para que o próprio paciente possa se cuidar a partir do seu entendimento acerca do problema.

Ao longo do processo terapêutico, a estratégia terapêutica se volta na busca de uma solução objetiva e direta do problema ou a mudança de comportamentos.

A relação terapêutica

Para a eficácia da terapia e o estabelecimento do comprometimento para com a terapia é essencial desenvolver confiança e rapport com o paciente desde seu primeiro contato. Com os resultados positivos ao longo do tratamento, estudos apontam que o vínculo terapêutico se fortalece. A relação terapêutica é estabelecida com a maioria dos pacientes, sendo mais difícil com pacientes portadores de doenças mentais graves ou outras patologias graves.

Para estabelecer a relação terapêutica, o profissional precisará:

  • demonstrar habilidades terapêuticas e compreensão acurada;
  • compartilhar sua conceituação e plano de tratamento;
  • tomar decisões colaborativamente;
  • buscar o feedback;
  • variar seu estilo;
  • ajudar o paciente a resolver seus problemas e a aliviar sua angústia.

O terapeuta demonstra continuamente o seu compromisso e a compreensão do paciente por meio de afirmações empáticas, escolha das palavras, tom de voz, expressões faciais e linguagem corporal. É uma busca de ser um ser humano bom para seus pacientes. Isso demonstra empatia adequada e compreensão dos seus problemas e ideias por meio de perguntas significativas, reflexões e afirmações, o que faz com que ele se sinta valorizado e entendido.

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Referências:

BECK, J.S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. Editora Artmed. 2ª edição. 2013.

KNAPP, P. & BECK, A.T. Fundamentos, modelos conceituais, aplicações e pesquisa da terapia cognitiva. Braz. J. Psychiatry. 2008;30(2).

SILVA, M.A. Terapia cognitivo-comportamental: da teoria à prática. Psico-USF. 2014;19(1).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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