O que é modernidade líquida?

07/08/2021 às 19:27 Hipnose

O que é modernidade líquida?

A sociedade está constantemente em mudança e principalmente nos últimos anos mais e mais pessoas passam a perceber algo incomum nos relacionamentos: a liquidez. Você sabe o que é modernidade líquida? Então dá uma olhada!

O autor

Zygmunt Bauman, autor do livro “Modernidade líquida” foi um sociólogo e filósofo polonês nascido em 1925. Publicou uma série de livros que lidam com a relação entre modernidade, burocracia, racionalidade e exclusão social.

O que é modernidade líquida?

A modernidade líquida é um conceito desenvolvido para explicar as alterações que têm ocorrido nas últimas décadas. Segundo Bauman, inúmeras esferas da sociedade contemporânea, tais como vida pública, vida privada e relacionamentos humanos, estão passando por uma série de transformações cujas consequências esgarçam o tecido social. A relação com tais instituições sociais têm perdido a solidez e estão se liquefazendo, tornando-se amorfas como líquidos.

Dessa forma, a modernidade líquida é o tempo do desapego, provisoriedade e do processo de individualização que tem ocorrido nesse tempo de liberdade e ao mesmo tempo insegurança. Os indivíduos deste tempo vivem no anonimato das grandes metrópoles e têm uma sensação de impotência sem precedentes, já que neste anseio pela liberdade a responsabilidade é deixada às energias individuais, favorecendo a solução biográfica de contradições sistêmicas. Atualmente, todos estão correndo e sem tempo, preocupados com as inúmeras atividades assumidas e poucos têm o tempo e a disponibilidade para dar o ombro a algum amigo próximo e desconhece seus vizinhos.

A modernidade líquida assinala um tempo em que a violência, o terrorismo e o individualismo são exacerbados, intalados em “não-lugares” e em “terras de ninguém”.

Aspectos das relações humanas líquidas

Dentro do aspecto das relações humanas em “selvas de pedra” ou acotovelados em cidades grandes, pode-se destacar:

  • fuga
  • astúcia
  • desvio e evitação
  • rejeição de qualquer confinamento territorial
  • dificuldade de construir e manter a ordem, a responsabilidade pelas consequências e a necessidade de arcar com custos.
  • procrastinação
  • displicência, indolência e lassidão

Outros aspectos a serem considerados da modernidade líquida segundo Bauman são o desapego, a provisoriedade e a aceleração do processo de individualização, tempo de liberdade e ao mesmo tempo de insegurança, falta de segurança, de certeza e de garantia.

Os indivíduos da modernidade líquida

Na modernidade líquida, os indivíduos fluidos se movem facilmente, escorrem, esvaem-se, respingam, transbordam, vazam, inundam, borrifam, pingam, são filtrados, destilados de forma distinta dos sólidos. Dessa forma, os indivíduos têm associado “leveza” e “ausência de peso” à mobilidade e inconstância.

Assim, os sujeitos da modernidade líquida são afetados por inúmeros mal-estares, sentimentos de aflição, insegurança, pouca resiliência, depressão, ansiedade, baixa qualidade de vida, enfraquecimento dos vínculos e estão sob constante ameaça e se tornarem supérfluos e descartáveis e considerados “lixo” humano (excluídos do consumo).

Todos estão sobrecarregados de muitos projetos ao mesmo tempo e não param para observar o nascimento e o crescimento de fortes vínculos entre as pessoas.

Modernidade líquida e desintegração social

O modelo socioeconômico atual com o capitalismo contemporâneo fomenta o “derretimento” dos limites entre liberdade individual de escolher e agir, diluindo a importância de padrões, códigos, regras e referências sociais para estimular o desejo, especialmente o do consumo, impulsionado pelo predomínio da individualidade em detrimento dos valores coletivos.

Com isso, ocorre a desintegração das redes sociais, a derrocada de agências efetivas de ação coletiva. A participação política é considerada fluida e dinâmica, entretanto, tal fluidez, somada à liquidez pode tornar a participação social defasada e os envolvimentos e compromissos a longo prazo não possuem mais formas de asseguração.

Privatização

Bauman se refere à modernidade atual como uma fase de aguda privatização e individualização desvinculada dos poderes somada ao derretimento dos sólidos da tradição, o que possibilitou uma cisão entre a construção individual da vida e a construção política da sociedade.

Na modernidade líquida, os indivíduos não possuem mais padrões de referência, nem códigos sociais e culturais que possibilitem construir a vida e se inserir dentro das condições de classe e cidadão. Não existem mais lugares pré-estabelecidos no mundo para o indivíduo se situar, e precisam lutar livremente por sua própria conta e risco para se inserir em uma sociedade cada vez mais seletiva econômica e socialmente.

A ilusão da felicidade consumidora

Nossa sociedade se torna cada vez mais rica, ao passo que mais e mais pessoas se sentem menos felizes. A riqueza parece não ser o principal motivo da felicidade, ocorrendo uma correlação inversa entre riqueza e felicidade.

Aquilo que é necessário para ser feliz não pode ser comprado, tal como o amor, a amizade, os prazeres da vida doméstica, o companheirismo, a autoestima e o respeito mútuo. No entanto, os mercados procuram vender propostas de felicidade, bens que podem substituir aqueles intangíveis e não-negociáveis.

Uma vez que o indivíduo torna sua vida mais feliz, começa a se afastar dos domínios não-monetários, e os efeitos de buscar a felicidade atrelada ao consumo de mercadorias é tornar essa busca interminável, uma felicidade nunca alcançada. Quando a pessoa não chega a um estado de felicidade duradouro, acaba tendo a esperança de que na próxima vez que comprar um produto ou com o lançamento de uma nova tendência irá conseguir, se tornando buscadores de felicidade crônicos que acabam afetando a sua qualidade de vida.

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Referências:

FRAGOSO, T.O. Modernidade líquida e liberdade consumidora: o pensamento crítico de Zygmunt Bauman. Revista Perspectivas Sociais. 2011;1(1).

MIWA, M. & VENTURA, C. O (des)engajamento social na modernidade líquida: sobre participação social em saúde. Saúde debate. 2020;44(127).

TFOUNI, F.E.V. & SILVA, N. A modernidade líquida: o sujeito e a interface com o fantasma. Rev. Mal-Estar Subj. 2008;8(1).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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