O que é mansplaining? Entenda mais sobre esse termo atual

13/11/2021 às 20:09 Hipnose

O que é mansplaining? Entenda mais sobre esse termo atual

Para tornar a sociedade uma plataforma mais igualitária, uma série de abusos psicológicos que vêm sendo realizados contra mulheres há séculos têm sido nomeados, dentre eles o mansplaining. Você conhece esse termo? Então vem dar uma olhada conosco!

O que é mansplaining?

A palavra vem do inglês “man”, homem, e “splaining”, uma forma informal do verbo explain, que significa explicar. Assim, é um termo que retrata o momento em que um homem comenta ou explica algo a uma mulher de maneira condescendente, confiante e muitas vezes, imprecisa ou de forma simplista.

Assim, o mansplaining se diferencia de outras formas de condescendência na medida em que se baseia na suposição de que um homem provavelmente tem mais conhecimento do que uma mulher. O termo passou a ser usado de forma ampla, muitas vezes aplicado quando um homem toma um tom condescendente em uma explicação para qualquer pessoa, independentemente da idade ou sexo dos interlocutores.

Origem do termo

O termo mansplaining foi inspirado nos escritos de Rebecca Solnit em 2008. No mesmo ano, o termo apareceu pela primeira vez na rede social Live Journal e se popularizou entre as blogueiras feministas. Em 2010, mansplaining foi nomeado pelo New York Times como uma das suas "Palavras do Ano".

A linguagem e a dominação

A linguagem é uma das formas de reprodução e perpetuação da dominação masculina, afinal esta é uma portadora do poder de construir representações simbólicas sobre o mundo social. É através da linguagem, segundo Pierre Bourdieu, que incorporamos sob a forma de esquemas inconscientes de percepção e apreciação as estruturas históricas da ordem masculina. Assim, todo um legado histórico dessas estruturas de dominação diz respeito ao modo diferenciado de socialização das mulheres em relação ao uso da fala. Existe, segundo Bourdieu, um trabalho de socialização que tende a diminuir e negar às mulheres, que precisa ser conscientizado pelas gerações atuais por meio de informações e autoconhecimento.

O que é machismo discursivo?

O machismo discursivo é um conjunto de práticas que tornam a fala autoritária, dentre elas, declarações assertivas, modos de ridicularizar e desqualificar argumentos oponentes, opiniões excessivamente firmes e inflexíveis, uso de argumentos baseados em convicções e orgulho pessoal. É um tipo de machismo que utiliza-se de manobras retóricas que afirmam e reafirmam políticas autoritárias no que se refere ao debate público, em detrimento de formas discursivas democráticas. Os modos de silenciamentos e de desvalorização do discurso das mulheres na política são uma forma de machismo e exercem uma função coercitiva, ao intervir nos modos de expressão das mulheres.

A imposição do silêncio

Uma das formas de observar que o machismo está presente na linguagem é através da imposição cultural do silêncio como uma norma de “boa conduta” para as mulheres, o que é uma forma de violência simbólica para tornar invisível suas vítimas. Imagens de sensibilidade, de delicadeza, de submissão e como sujeitos sem habilidade para o uso público da palavra devido a um suposto caráter emocional de suas intervenções discursivas são passadas como símbolos de mulheres, o que está longe da realidade, uma distorção que afeta a qualidade de vida de milhares de mulheres em todo o mundo até hoje em dia.

O que são micromachismos?

Existem também formas mais brandas e mais violentas de machismo discursivo, que são denominadas de micromachismo, ou seja, um conjunto de atitudes e formas de relacionamentos interpessoais que impregnam os comportamentos masculinos na vida cotidiana de valores e perspectivas machistas, nos níveis micro da vida social. São ações naturalizadas no cotidiano de forma sutil, porém enraizadas na prática de controle patriarcal.

Manterrupting

Outro termo que tem se tornado comum na atualidade é o termo manterrupting que vem da junção de homem e interrupção, ou seja, se relaciona ao constrangimento que ocorre quando um homem constantemente interrompe a mulher, de forma desnecessária, não permitindo que ela conclua sua frase.

Aponta-se que o termo surgiu em 2015 a partir do artigo “Speaking while Female, and at a Disadvantage” (falando enquanto mulher, e em desvantagem) publicado no “The New York Times” por Sheryl Sandberg, então chefe de operações do Facebook e Adam Grant, professor da escola de negócios da University of Pennsylvania. Eles citaram um estudo de psicólogos de Yale que mostra como as senadoras americanas se pronunciam significativamente menos do que seus colegas masculinos de posições inferiores.

Bropriating

Já o termo bropriating vem da junção de brother (irmão) e appropriating, do inglês, apropriação. É quando um homem se apropria do trabalho ou das ideias de uma mulher, sem dar a ela os devidos créditos por seus trabalhos. Diversas mulheres ao longo da história tiveram seus trabalhos apagados ou não receberam mérito por suas significativas contribuições em diversas áreas.

Segundo a Think Olga, o bropriating ajuda a explicar por que existem tão poucas mulheres nas lideranças das empresas. “Além das supostas desvantagens mercadológicas e o preconceito de gênero, ainda servimos de plataforma para o crescimento de colegas homens, pelo simples fato de sermos menos ouvidas e levadas a sério.”

Gaslighting

Por fim, temos o termo gaslighting que é um tipo de abuso psicológico que leva a mulher a achar que enlouqueceu ou está equivocada sobre um assunto, sendo que está originalmente certa. É um jeito de fazer a mulher duvidar do seu senso de percepção, raciocínio, memórias e sanidade.

No dia a dia, esses micromachismos e abusos psicológicos geralmente são abafados ou menosprezados e precisam ser apontados para que todos se educam nesse sentido.

Pronto, agora que você já sabe o que significam esses termos é hora de passar a identificá-los em seu dia a dia para não cometê-los mais. Juntos podemos fazer um mundo melhor!

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Referências:

BARROS, A.T. & BUSANELLO, E. Machismo discursivo: modos de interdição da voz das mulheres no parlamento brasileiro. Rev. Estud. Fem. 2019;27(2).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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