O que é ideologia?

11/08/2021 às 19:52 Hipnose

O que é ideologia?

Os telejornais e a mídia social falam bastante de ideologia atualmente, mas será que entendemos o que esse conceito quer dizer? Dá só uma olhada!

O que é ideologia?

A ideologia é um corpus de representações e de normas que fixam e prescrevem de antemão o que se deve e como se deve pensar, agir e sentir. Por sua anterioridade, a ideologia predetermina e pré-forma os atos de pensar, agir e querer ou sentir, de sorte que os nega enquanto acontecimentos novos e temporais.

Tal corpus de representações possui a finalidade de produzir uma universalidade imaginária, pois na realidade, apenas generaliza para toda a sociedade os interesses e o ponto de vista particulares de uma classe: aquela que domina as relações sociais. Assim, a produção desse universal visa não só ao particular generalizado, mas sobretudo a ocultar a própria origem desse particular, isto é, a divisão da sociedade em classes.

Dominação de classe

A ideologia pode ser utilizada como forma de exercício da dominação de classe, já que sua eficácia depende da capacidade de produzir um imaginário coletivo em cujo interior os indivíduos se localizem, identifiquem-se, e pelo autorreconheçam o obtido, legitimando involuntariamente a divisão social. Portanto, a eficácia ideológica depende da interiorização do corpus imaginário, de sua identificação com o próprio real e especialmente de sua capacidade para permanecer invisível. Pode-se dizer que uma ideologia é hegemônica quando não precisa mostrar-se, quando não necessita de signos visíveis para se impor, mas flui espontaneamente como verdade igualmente aceita por todos. A falta de conscientização e autoconhecimento é um dos grandes fatores que contribuem para a vulnerabilidade diante da dominação de classe.

Características da ideologia

É crucial que a ideologia possa representar o real e a prática social através de uma lógica coerente. Tal coerência é alcançada graças a dois mecanismos: a lacuna e a “eternidade”. De um lado, a lógica ideológico é lacunar, ou seja, nela os encadeamentos se realizam não a despeito das lacunas ou dos silêncios, mas graças a eles; por outro lado, sua coerência depende de sua capacidade para ocultar sua própria gênese, ou seja, deve aparecer como verdade já feita e já dada desde todo o sempre, como um “fato natural” ou como algo “eterno”. Podemos citar como características da ideologia:

  1. Prescrição de normas: orienta as ações humanas e modela os interesses dos indivíduos (exemplo: a ideia de monogamia);
  2. Representação da realidade: utiliza de símbolos e criação mental;
  3. Generalização do particular: trata o específico como exemplo de um fenômeno geral;
  4. Inversão da realidade: esconde as reais causas de um fenômeno;
  5. Naturalização das ações humanas: torna normal e natural aquilo que é histórico e contingente.
  6. Reificação da realidade: as coisas aparecem com vida própria, ou seja, coisas inertes ganham aspectos naturais, não construídas pelos homens.

Ocultação das causas

A lógica ideológica só pode manter-se pela ocultação de sua causa, isto é, a divisão social das classes, pois sua missão é dissimular a existência dessa divisão, já que uma ideologia que revele sua própria origem se autodestrói. Por essa razão, a ideologia deve fabricar teorias a respeito da origem da sociedade e das diferenças sociais de modo a poder negar sua origem verdadeira. Trata-se, pois, da produção de uma gênese imaginária sustentada por determinadas “teorias” da história nas quais ideias, como as de progresso ou de desenvolvimento, têm a finalidade de colocar o presente como uma fase necessária do desdobrar do passado e do advento do futuro, estabelecendo continuidade entre eles.

Ideologia e Karl Marx

Para Karl Marx, a ideologia age mascarando a realidade, bem como pode ser instrumento de manipulação.

Karl Marx desenvolveu uma teoria a respeito da ideologia que concebe a mesma como uma consciência falsa, proveniente da divisão entre o trabalho manual e o intelectual. Para Marx não se pode analisar uma sociedade separada de sua condição social e histórica. Nessa divisão, surgiriam os ideólogos ou intelectuais que passariam a operar em favor da dominação ocorrida entre as classes sociais, por meio de ideias capazes de deformar a compreensão sobre o modo como se processam as relações de produção. Neste sentido, a ideologia (enquanto falsa consciência) geraria a inversão ou a camuflagem da realidade, para os ideais ou interesses da classe dominante.

Uso crítico da ideologia

O uso crítico do termo ideologia pressupõe uma diferenciação implícita entre o que vem a ser um "conjunto qualquer de ideias sobre um determinado assunto" (concepção neutra sinônima de ideário), e o que vem a ser o "uso de ferramentas simbólicas voltadas à criação e/ou à manutenção de relações de dominação" (concepção crítica). A partir deste ponto comum a todos os significados do termo ideologia que aderem à concepção crítica, o que se tem são variações sobre a forma e o objetivo da ideologia. A principal divergência conceitual da concepção crítica de ideologia está na necessidade ou não de que um fenômeno, para que seja ideológico, necessariamente tenha de ser ilusório, mascarador da realidade e produtor de falsa consciência. A principal convergência conceitual, por outro lado, está no pré-requisito de que para um fenômeno ser ideológico, ele necessariamente deverá colaborar na criação e/ou na manutenção de relações de dominação.

Como a ideologia pode afetar a sociedade?

A ideologia pode confundir a detecção da realidade, se comparada à um corpus de ideias generalizadas que não retratam especificamente os fatos. Dessa forma, os indivíduos podem se tornar confusos a respeito de como agir em relação às situações reais de vida, especialmente quanto à sua participação social e política. Por isso, busque sempre se informar a respeito dos fatores que podem estar afetando a sua qualidade de vida.

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Referências:

CHAUI, M.S. Ideologia e educação. Educ. Pesqui. 2016;42(1).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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