Hipnose e somatização

12/06/2021 às 17:34 Hipnose

Hipnose e somatização

A ciência tem cada vez mais buscado compreender a relação entre a mente e o corpo, especialmente no que diz respeito às doenças psicossomáticas, aquelas originárias de processos mentais, psicológicos ou emocionais. Mas você sabe o que é somatização?

Psicossomática

A psicossomática é uma área interdisciplinar que explora as relações entre fatores sociais, psicológicos e comportamentais nos processos orgânicos e na qualidade de vida de humanos e animais.

Alguns pesquisadores definem o corpo como um invólucro da psique, o que implica que sem corpo não haveria psique no indivíduo, bem como se não houvesse corpo não haveria o psicológico do ser humano. Dessa forma, não há como entender um afeto como um acontecimento meramente psíquico ou simplesmente físico. A emoção é essencial na psicossomática, já que a dor de um (mente) provoca inevitavelmente o sofrimento do corpo e vice-versa.

De acordo com essa abordagem, qualquer intromissão ou mudança feita pelo mundo exterior pode desencadear uma doença cuja característica é o esforço para manter o equilíbrio homeostático, ou seja, o ser humano tem um papel central em medir os fenômenos da mente, tais como a memória, aprendizagem, emoções, comportamento e, por consequência, suas manifestações no corpo.

O que é somatização?

A somatização é a geração de sintomas físicos a partir de uma condição psiquiátrica ou psicológica, como a ansiedade ou a depressão, por exemplo. É um termo médico usado para caracterizar a expressão corporal do estresse e algumas emoções. O transtorno de somatização é um transtorno mental caracterizado por queixas recorrentes, múltiplas e atuais, clinicamente significativas, sobre sintomas somáticos, embora não seja possível detectar nenhum transtorno orgânico.

Cerca de 12% das consultas que chegam aos médicos são devido a sintomas de somatização, uma tentativa do corpo de lidar com estresse emocional e social. Os sintomas podem afetar os sistemas digestivo, nervoso e até reprodutivo. As dores de cabeça sem explicação estão associadas a fatores psicológicos, ao estresse e ao excesso de exposição ao cortisol, o hormônio do estresse. Algumas pessoas se tornam sensíveis às sensações físicas internas da dor. Uma sensibilidade biológica pode predispor a maiores sentimentos somáticos que podem predispor ao desenvolvimento de transtornos de somatização.

A partir de emoções fortes, os músculos se contraem, respira-se rápido ou devagar demais, modificações são realizadas em todas as partes do corpo, de acordo com cada tipo de emoção, e quando vivenciados cronicamente, podem levar ao desenvolvimento do transtorno de somatização.

Preocupações com a saúde podem se tornar centrais, pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos podem incluir preocupação com uma potencial doença, sensações físicas normais como “sinal” de doença grave, temor de que os sintomas sejam sérios, crença de que as sensações físicas são ameaçadoras e que a avaliação médica e o tratamento não foram adequados.

Hipnose

Apesar de a hipnose nem sempre atender às exigências do método científico para verificar seus resultados, ela sempre vem marcada por sua eficácia terapêutica e continua sendo utilizada nos meios clínicos.

Segundo Erickson:

"a hipnose é fundamentalmente um método de comunicar ideias ao outro. Na hipnose, ao se colocar a pessoa em estado de transe, estabelece-se uma condição de predisposição às ideias, um estado de disposição para utilizar aprendizagens" (p. 19). "A hipnose não é um sono fisiológico determinado da consciência; é um estado psicológico determinado da consciência, que difere do estado comum da consciência".

Dessa forma, a hipnoterapia é uma forma de processamento de informação que se realiza a partir do rebaixamento da consciência com o objetivo de promover mudanças aparentemente involuntárias na percepção, humor, memória e fisiologia. Por meio de sugestões diretas, o hipnólogo conduz seu paciente ao estado de transe, a partir da qual pode evocar respostas e potencialidades de dentro do paciente.

Hipnose e somatização

A hipnose tem sido eficaz para tratar transtornos somáticos. Na aplicação com pacientes com câncer de próstata, por exemplo, o tratamento hipnoterápico desencadeou uma reaproximação de cada indivíduo consigo mesmo, e de uma compreensão de que seu estado de saúde atual era passageiro e modificável. Os indivíduos, aos poucos, passam a se apropriar de seu indivíduo total em recuperação, participando ativamente no processo de recuperação de sua saúde. Nesses pacientes, foi observado que reassociar e reorganizar a própria experiência de vida foi o que promoveu uma cura, já que a autopercepção de suas próprias melhorias aumentaram a capacidade de os pacientes tomarem a posição de agentes centrais de suas vidas.

A partir da abordagem Ericksoniana, a hipnoterapia é uma estratégia muito relevante para auxiliar e oportunizar a cada paciente de se perguntar e encontrar em seu inconsciente, uma maneira de lidar e resolver seu conflito. Dessa forma, um trabalho interno que aproxime os desejos mais inconscientes e profundos com os diversos ganhos que os pacientes podem ter, resulta em melhorias no humor, uma ampla crença na cura e melhor adesão ao tratamento, e foi correlacionado com a melhoria no câncer e à retomada da vontade de viver.

Tratamento

As doenças psicossomáticas têm relação direta com a interface mente-corpo, e são determinadas por uma multiplicidade de fatores. Diversas emoções têm influência íntima na remissão de agravação dos sintomas. O tratamento precisa ser multidisciplinar, tanto medicamentoso, quanto multidisciplinar, principalmente em casos como o tratamento da depressão e o tratamento para ansiedade.

A hipnose pode ser aplicada diretamente para o alívio dos sintomas, nas fases crônica ou mesmo após a remissão da doença. As intervenções concentram-se na descoberta de sentimentos, conflitos, necessidades, estados de humor e na dinâmica da personalidade que, se trabalhada, pode desconectar o processo de somatização. Algumas dificuldades encontradas na psicoterapia como a resistência podem ser contornadas com o acesso do inconsciente para desvelar possíveis dependências de ganhos secundários dos sintomas ou de seu agravamento.

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Referências:

CAIRE, L.F. Hipnose em pacientes oncológicos: um estudo psicossomático em pacientes com câncer de próstata. Psico-USF. 2012;17(1).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 10 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 15 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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