A história da hipnose: a ascensão de uma ciência subjulgada

03/05/2021 às 09:16 Hipnose

A história da hipnose: a ascensão de uma ciência subjulgada

Você sabe como surgiu a hipnose? Como ela se desenvolveu ao longo dos séculos? Será que é possível traçar uma história da hipnose? Por se tratar de um fenômeno natural e inerente ao ser humano, contar a história do surgimento da hipnose em nosso mundo não é tarefa fácil.

A hipnose sempre existiu, e se você acredita nas históricas bíblicas de Adão e Eva, por exemplo, pode datar o nascimento da hipnose deste ponto. Afinal, esta técnica surge no mesmo tempo em que o primeiro ser humano a habitar a terra nasce, pois, a hipnose é um estado natural e é vivida no nosso dia a dia.

Pense só: quando fazemos o mesmo trajeto em direção ao nosso trabalho todos os dias, quando lemos um livro ou quando assistimos a um filme na TV, entramos num estado conhecido como hiperfoco. Ou seja, um estado de concentração mental intensa.

Note, portanto, que a história da hipnose não pode ser contada da mesma forma que a história do descobrimento do Brasil, por exemplo. Isto porque a sua história é a história de como ela foi compreendida, percebida e utilizada ao longo dos anos. Toda via, utilizaremos como ponto de partida a Idade Antiga ou Antiguidade.

A hipnose na antiguidade

Muitos historiadores e estudiosos da técnica costumam datar o início da hipnose a partir das civilizações antigas, sobretudo, da sociedade egípcia que viveu milhares de anos antes de Cristo. Provas arqueológicas mostram que os egípcios utilizavam a hipnose em seus templos de sono, onde as doenças da época eram tratadas após o paciente ser submetido ao transe hipnótico.

Em vasos de cerâmica daquela época, muitos desenhos retratavam figuras de médicos realizando intervenções cirúrgicas de grande porte. Estes médicos eram representados emitindo sinais mágicos ou raios dos olhos como forma de simbolizar a ação do hipnotizador. 

Também na Caldéia, Roma, Índia, Pérsia e China, a hipnose era utilizada para alcançar fenômenos psíquico, segundo muitos documentos datados destas épocas comprovam. O uso  da técnica por sacerdotes, médicos e xamãs, era considerado como a “arte de curar”. É importante lembrar, que em muitas destas sociedades, a medicina era diretamente influenciada por fatores espirituais e religiosos, sendo assim, se o enfermo fosse curado o mérito era dado ao sacerdote, caso não fosse, a falta de fé do enfermo era o grande culpado.

Neste contexto, notamos que boa parte da história contribui para que a hipnose tomasse uma “identidade mística”. E foi só apenas no século XVIII, que a hipnose passa a “perder” tal identidade, sendo deflagrado em situações corriqueiras e de aspecto técnico - cientifico.

Os grandes nomes que contribuíram para o desenvolvimento da história da hipnose

Ao longos dos séculos, as explicações com relação à eficácia simbólica da hipnose se alteraram sempre de forma a acompanhar a filosofia e cultura de cada época. Assim, se na antiguidade a técnica era fortemente marcada pelo misticismo, em meados do século XVIII, com o advento do Iluminismo, estudiosos buscaram uma compreensão mais cientifica.

Franz Anton Mesmer (1734 – 1815)

Foi por meio do médico austríaco Franz Anton Mesmer que o processo de transição do misticismo para a compreensão cientifica da hipnose iniciou-se, através de um método inicialmente denominado Magnetismo Animal. A ideia era que, da mesma forma que os planetas influenciam um ao outro através da força gravitacional, os seres humanos operavam da mesma lógica com um força conhecida como magnetismo.

Mais tarde, Mesmer passou a aplicar a teoria em sua clinica médica. Franzl Oesterline foi a primeira paciente a ser tratada pelo médico de um quadro convulsivo através de um imã que permitia o fluxo do magnetismo animal do médico para a paciente. Hoje, podemos compreender o ocorrido como uma sugestão hipnótica não verbal que permitiu o alivio de sintomas e a promoção de cura.

James Braid (1795 – 1950)

Médico oftalmologista e pesquisador britânico, James Braid compreendia a hipnose como um fenômeno neurofisiológico, e foi o responsável pela criação do termo hipnose em alusão ao estado de sono profundo. Uma decisão na qual não foi feliz, ao observar que a hipnose distinguia-se de um estado de sono, porém o termo já havia sido consagrado.

Braid descobriu através de seus estudos, que a fixação ocular era a porta de entrada do inconsciente e, por isso, criou a técnica de fixação do olhar para se chegar ao estado de transe. Notou também através da pratica como hipnólogo, que pontos de fixação acima da nossa linha reta de visão, eram mais eficazes para se chegar ao estado hipnótico.

James Esdaile (1808 – 1859)

Médico e cirurgião escocês, James Esdaile foi pioneiro no uso da hipnose em cirurgias. Especialista em anestesia hipnótica, Esdaile realizou inúmeras cirurgias somente levando os pacientes a um estado de relaxamento profundo que permitia ao médico realizar os procedimentos cirúrgicos por meio da anestesia hipnótica.

Hoje, esta técnica continua a ser utilizada por médicos, fisioterapeutas, tatuadores e profissionais de odontologia e os efeitos positivos desta prática continuam se mostrando eficaz.

Caso você queria compreender mais a fundo os benefícios da hipnose na medicina e da hipnose na odontologia, entre outros assuntos, sugiro que acompanhe os artigos diários no blog da IBND!

Jean Martin Charcot (1825 – 1893)

Jean Martin Charcot foi um neurologista e professor francês que realizou inúmeras pesquisas e estudos no campo da neurologia, utilizando a hipnose para conseguir acessar o inconsciente dos pacientes e, assim, controlar os sintomas da histeria.

Grande influenciador, Charcot incentivou e influenciou muitos médicos da sua época a estudarem a hipnose mais profundamente e utilizarem em seus campos de trabalho. Sigmund Freud, pai da psicanálise, foi um dos influenciados pelo neurologista francês.

Sigmund Freud (1856 – 1939)

Criador da psicanálise, o medico austríaco Sigmund Freud estudou diretamente com o neurologista Charcot. Mas não se aprofundou nos estudos, pois não via o quanto a hipnose poderia ser útil no atendimento aos seus pacientes, portanto, no primeiro momento, Freud exclui a técnica da hipnose do método da psicanálise, notando, mais a frente que era impossível renegar aos benefícios desta técnica para o seu trabalho, reconhecendo sua importância.

Dave Elman (1900 – 1967)

Notório radialista, compositor musical e comediante, Dave Elman é a única figura ilustre aqui citada que não atua na área da saúde. Entretanto, isso não faz dele menos importante na história da hipnose. Afinal, Elman é nada mais, nada menos que o pai da Hipnose Clássica, usada para sugestões diretas, autoridade e hierarquia.

Elman especializou-se em criar induções rápida. Principalmente, a indução mais famosa que ganhou o seu nome: a indução Dave Elman, considerada até hoje uma das melhores induções de hipnose.

Ademais, Dave Elman foi o primeiro hipnotista a participar de uma cirurgia cardíaca, utilizando apenas a anestesia hipnótica.

Milton Erickson (1901 – 1980)

Psiquiatra norte-americano, Milton Erickson foi um especialista em terapia de família e hipnose. Fundador e presidente da Sociedade de Hipnose Clínica, Erickson é uma das maiores autoridade mundiais em Hipnose Ericksoniana e foi o responsável pela premissa que o estado de transe é natural ao ser humano.

Aos 18 anos, Milton Erickson contraiu poliomielite e chegou a ficar paraplégico, conseguindo mover apenas os olhos. Entediado, Erickson começou a observar o modo como as pessoas se comportavam e como se comunicavam não verbalmente (linguagem corporal), percebendo que as expressões não verbais contradiziam diretamente as verbais.

A partir desta observação e após se curar, Erickson desenvolveu uma linguagem metafórica, lúdica e efetiva para realizar a comunicação com a mente inconsciente. Milton Erickson deixou um legado na história da hipnose com sua premissa de que a cura é resultante da interação humana.

A hipnose no século XXI: a história continua a ser escrita!

A oficialização da hipnologia dentro das ciências médicas se deu apenas em 1960 com a criação da Seção de Hipnose Clínica. Mas desde o século XX para cá, a hipnose vêm passando por novos desafios, afinal, por se tratar de uma técnica aceita muto recentemente muitas pessoas ainda mentem uma relação de preconceito.

Mas, graças ao advento de novas tecnologias e o aprimoramento do conhecimento em neurociências, novas fronteiras se abriram para a hipnose e para os profissionais que buscam se especializar nesta área em ascensão seja através da hipnoterapia, da hipnose clássica ou qualquer outra vertente.

A história da hipnose não tem um inicio certo e ela continua a ser escrita dia após dia no século XXI. E o nosso maior desafio é ir além dos estudos dos grandes nomes acima citados e explorar as possibilidades ainda inexploradas da hipnose. Pois, assim como a medicina tradicional ainda guarda seus segredos, a técnica de hipnose também.

“A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos”

Platão – 427 – 347 A.C

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Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 10 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 15 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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