Psicanálise e luto

26/09/2021 às 20:54 Hipnose

Psicanálise e luto

Perder alguém ou algo significativo pode ser muito difícil até mesmo para pessoas com forte inteligência emocional e saúde mental. Você conhece as contribuições da psicanálise para o entendimento do luto? Então dá só uma olhada!

O processo do luto

O luto exige um trabalho de simbolizar e elaborar a perda, para reencontrar novos caminhos para o desejo, e isso leva um certo tempo e envolve certa forma de pesar. É por meio desse percurso que os objetos de amor podem ser desinvestidos e o indivíduo passa a encontrar novos substitutos. Não é um processo simples encontrar um objeto substituto, já que as fantasias conscientes e inconscientes são ativadas com a perda do objeto. Assim, o processo de luto é um redimensionamento das fantasias e defesas do psiquismo, buscando um novo equilíbrio de forças.

Freud e o luto

Freud lançou um ensaio sobre luto chamado “O luto e a melancolia” onde delineou as linhas mestras das semelhanças e diferenças entre a melancolia e o processo de luto, tendo se tornado um clássico em psicanálise. Para ele, a elaboração do trabalho de luto, ou seja, a recuperação da libido e a volta do interesse no mundo externo ou fracasso dessa elaboração e a queda na melancolia estão envolvidos nesse processo. Freud citou a recusa da perda, que pode levar ao que chamou de psicose alucinatória, e tornou-se referencial para a elaboração bem sucedida do luto e sua diferenciação da melancolia.

O autor também definiu as características do luto e da melancolia como um profundo desânimo, perda do interesse pelo mundo externo, inibição da atividade em geral e incapacidade de amor, além de diminuição na autoestima, acompanhada de auto-acusações, podendo até culminar na punição.

Teste de realidade

Assim, através do teste de realidade, o indivíduo pode evidenciar reiteradamente que o objeto não mais existe, exigindo que a libido se desprenda do objeto perdido, uma exigência que não é fácil de ser cumprida, pois as pessoas tendem a se agarrar insistentemente a seus investimentos libidinosos e não abrem mão de suas ligações mesmo quando outro objeto se apresenta a elas. Quando essa oposição é muito forte, pode ocorrer um aprisionamento intenso no objeto, a ponto de se instalar uma psicose desejosa alucinatória, resultado de um total fracasso do juízo de realidade. Assim, o teste de realidade e suas exigências vão sendo realizadas gradativamente e com muito gasto energético, sendo que no decorrer desse período a existência do objeto perdido é prolongada no psiquismo. É um processo que envolve sofrimento, dor e afeta muito a qualidade de vida dos indivíduos enlutados.

Luto patológico

No entanto, o luto nem sempre é satisfatoriamente elaborado, podendo transformar-se em luto patológico, onde se cronifica e cristaliza, mantendo um paralelo com a patologia melancólica. Do ponto de vista da psicanálise, lutos patológicos e tendências suicidas podem ser entendidos como um reflexo da estrutura mais básica da personalidade, onde a história de simbolizações é que irá ressignificar os eventos traumáticos da vida do sujeito. Por isso, uma perda pode trazer uma nova significação para um conjunto de fantasias e afetos inconscientes do sujeito. A persistente busca de união com o objeto definitivamente perdido é o principal motivo do luto patológico, e sempre aparece de forma mascarada e distorcida.

Variação nas reações ao luto

Algumas pessoas sofrem mais com as perdas do que outras. Uma forma de entender por que uma perda é tão disruptiva para uma pessoa e para outras não é que essa perda atual se liga a um complexo de fantasias inconscientes, reavivando impulsos e defesas e desestabilizando a estrutura dinâmica da personalidade. Um evento como a perda de um ente querido pode desencadear uma série de patologias, em especial quadros de depressão, já que a angústia da perda de objeto fica mais evidente nesse período.

Importância de entender o luto

Entender o processo do luto na vida de um indivíduo é importante quando assunto são enlutados sem uma estrutura forte o suficiente para lidar com a carga que a perda de algo que ele julga importante pode trazer para sua vida. O papel da psicanálise é ajudar o sujeito a encontrar meios para entender o que se passa, de forma a ajudá-lo a passar por todas as fases do processo de forma natural. Sendo uma tristeza que toma conta do indivíduo e tira sua motivação, o que muitos não sabem sobre o luto é que ele pode ocorrer em qualquer situação de perda, não só em casos de morte, mas também perda de status, um bem material ou qualquer outro objeto de valor sentimental na vida de um indivíduo.

A aceitação da perda

A aceitação do luto fica difícil quando envolve sentimento, o indivíduo pode mergulhar em profunda tristeza por várias semanas, até meses, mas é um processo inevitável. Muitos indivíduos tentam adiá-lo, mas em algum momento ele aparecerá. Muitas pessoas necessitam de ajuda profissional para conseguir seguir em frente, pois não há como pular fases do processo, se o sujeito não passar pelo processo de luto ele ficará preso em algum estágio dele, mesmo sem perceber, sendo afetado por sintomas de uma perda não elaborada. Quando o sujeito pára de negar a perda e aceita o ocorrido, para de lutar contra os fatos e entende que o melhor a fazer é renovar as forças para que sejam investidas na superação da perda. Parará de negar a realidade que precisa enfrentar e se abre para novas possibilidades de afeto, amor e realização. É a partir daqui que o indivíduo se encontra livre para substituir o espaço ocupado anteriormente pelo objeto da perda.

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Referências:

CAMPOS, E.B.V. Considerações sobre a morte e o luto na psicanálise. Rev. Psicol. UNESP. 2013;12(1).

MENDLOWICZ, E. O luto e seus destinos. Ágora. 2000;3(2).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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