A cultura do cancelamento

28/09/2021 às 21:00 Hipnose

A cultura do cancelamento

Um fenômeno recentemente muito comentado nas redes sociais, o cancelamento tem sido parte do cotidiano até mesmo de pessoas famosas. Você conhece esse fenômeno? Vem dar uma olhada com a gente!

O crescimento das redes sociais

As redes sociais foram se fortalecendo ao longo dos últimos anos e a crescente exposição nessas plataformas se torna alvo de um fenômeno chamado “tribunal da internet” nos quais, muito longe da ideia de discussão sadia de ideias e liberdade de expressão, a exposição tóxica de opiniões e a chamada cultura do cancelamento tem atingido artistas, empresas e até mesmo anônimos, dependendo do público que atinge. Tais condutas liberais demonstram que os usuários das redes sociais acreditam estar escondidas por trás das telas de computadores e smartphones, em uma espécie de “proteção” das consequências do que propaga por tais redes. Por isso, o uso das redes sociais tem sido repensado por uma série de pessoas, inclusive celebridades que trabalham com divulgação pessoal. Mas o que é o cancelamento? Vejamos abaixo.

A cultura do cancelamento

Segundo autores, estima-se que o ano 2019 foi um marco para a consolidação da chamada cultura do cancelamento, que consiste no ato de incentivar pessoas a não apoiarem pessoas, públicas ou não, bem como empresas, como resposta a um erro ou conduta tida como reprovável pela sociedade. Os números de celebridades “canceladas” só cresceram e se intensificaram com o período chamado “pós-pandemia”, no qual muitas celebridades e personalidades quebraram com o isolamento social e acabaram perdendo parcelas de seu público-alvo.

No entanto, na cultura do cancelamento, alguns indivíduos ultrapassam os limites da intenção corretiva e passam a se comportar excessivamente punitivos, acreditando estar munidos do direito absoluto à liberdade de expressão sem perceberem que estão ferindo os direitos do alvo do ataque. Vale lembrar que o direito de expressão não é absoluto, e aplica-se a máxima de que “meus direitos acabam onde os dos outros começam”.

Distorções cognitivas na internet

Nota-se que nem sempre o cancelamento se dá por conta de uma atitude do alvo cancelado, mas por algumas distorções cognitivas dos usuários das redes sociais que possuem dificuldade de conviver com opiniões divergentes das suas, transformando debates saudáveis em verdadeiros linchamentos e ataques virtuais, propagando crimes de ódio, injúria ou difamação, injúria racial, racismo, homofobia e intolerância religiosa, cuja ocorrência é cada vez mais comum.

As “condenações” aparecem em velocidades imediatas, o que alimenta muita intolerância e polarização, sem espaço para defesa por parte dos atacados. O que se percebe em geral é que a internet deixou de ser um local para propagação da pluralidade das ideias, para se tornar um meio propagador de discursos de ódio e outros crimes que afetam significativamente a qualidade de vida e saúde mental dos envolvidos.

Pontos positivos do cancelamento

Alguns autores trazem outros pontos de vista para a situação, relatando que a cultura do cancelamento tem seus ônus e bônus, sendo positiva no sentido de ser uma expressão da indignação das pessoas em relação a atitudes que antes passavam despercebidas, como casos de preconceito, machismo e racismo, negligência dos cuidados em saúde e muitos outros. O problema é quando não há um movimento no debate, quando se busca a anulação por completo do indivíduo que cometeu um erro. Não busca-se um diálogo e nem há motivação para praticar empatia e colocar-se no lugar do outro.

Assim, a cultura do cancelamento tem chamado a atenção por se tratar de uma onda de incentivo a deixar de apoiar determinadas personalidade e empresas em razão de condutas reprováveis. Quanto maior o público acessado pela pessoa alvo, maior pode ser a reeducação de todos, pelo alcance que as informações podem tomar.

Ataques virtuais e saúde mental

Recentemente casos de cancelamento como o da cantora Luiza Sonsa tomaram grande proporção nas redes sociais. As redes se polarizam após a separação de casais antes adorados pelos usuários das redes, e assim aconteceu com Luiza, que sofreu uma enxurrada de ataques de ódio após a morte do filho de seu ex-esposo, Whindersson Nunes, sendo acusada de ser responsável pelo acontecimento. A cantora gravou vídeos chorando após o recebimento das mensagens, com sua saúde mental visivelmente abalada, tendo sido recomendado o seu afastamento das redes por profissionais da saúde e sua equipe.

Dessa forma, a internet pode ser um instrumento de observação da saúde mental dos usuários, que se sentem livres para manifestar comportamentos, pensamentos e sentimentos que raramente fariam pessoalmente, e que podem não assumir até mesmo para as pessoas mais próximas.

O que precisamos discutir?

A grande questão do cancelamento é que apenas tentar “excluir” o alvo através dos ataques virtuais massificados, que extrapolam os limites da livre expressão do pensamento e se tornam linchamentos virtuais não resolve o problema. Embora de início seja uma denúncia, é preciso compreender que todos os seres humanos possuem pontos cegos e não compreendem totalmente a realidade em que vivemos, muito em função da educação precária que recebemos, da pouca conscientização histórico-social, dificuldades de interpretação textual e lacunas na habilidade de exercício do pensamento crítico em um ambiente de debate saudável, com possibilidade de defesa a respeito de qual seria a conduta responsável a ser tomada, sem causar danos psicológicos, na imagem e no patrimônio do indivíduo errante.

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Referências:

BESSA, L. Cultura do cancelamento: o que é? Politize. 2021. Disponível em: https://www.politize.com.br/cultura-do-cancelamento/

SILVA, T.B. & HONDA, E.M.V. O "Tribunal da Internet" e os efeitos da cultura do cancelamento. Migalhas nº5.174. 2020. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/depeso/331363/o--tribunal-da-internet--e-os-efeitos-da-cultura-do-cancelamento


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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