Plantão psicológico

29/06/2021 às 17:38 Hipnose

Plantão psicológico

A psicologia possui diversas formas de escutar e acolher uma pessoa em momento de crise. Dada a grande demanda de assistência à saúde mental, a psicologia continua se desenvolvendo. Você conhece o plantão psicológico?

O que é plantão psicológico?

O plantão psicológico é um tipo de atendimento psicológico que se completa em si mesmo, realizando um ou mais consultas sem duração pré-determinada, objetivando receber qualquer pessoa no momento exato de sua necessidade, visando ajudá-la a compreender melhor sua emergência e, se necessário, encaminhá-la para outros serviços. Assim, o plantonista será um facilitador ao ajudar o cliente a ter uma visão mais clara de si mesmo e da problemática que trouxe, utilizando sempre o poder pessoal do cliente para promover saúde e estimular a prevenção.

Trata-se de uma nova modalidade clínica que veio a se constituir uma alternativa à psicoterapia, buscando se adequar às demandas atuais. Sua função é proporcionar uma escuta e acolhimento à pessoa em momento de crise, sem aprofundar ou buscar resolver a problemática da pessoa, mas promover um momento de compreensão do seu sofrimento.

Benefícios do plantão psicológico

Dentre os benefícios do plantão psicológico, a possibilidade de atender um número maior de pessoas em tempo reduzido é algo que se destaca. O plantonista entra em contato com múltiplas realidades, observando diferentes graus e níveis sociais, bem como as experiências singulares de cada sujeito, o que torna a experiência extremamente recompensadora, devido ao acesso a diversidades de pessoas e demandas. O contato com o inesperado causa impacto emocional e é preciso que o plantonista esteja disposto a vivenciar as diferentes emoções ao longo do processo, desenvolver sua inteligência emocional e com o tempo não ficar chocado com o que presencia, proporcionando um amadurecimento ao profissional plantonista.

Postura do plantonista

O plantão psicológico acontece como um espaço que favorece a experiência de ambos, o cliente e o plantonista, o qual se mostra como presente e disponível e não apenas um detentor do conhecimento técnico. Significa que o plantonista busca estar junto, inclinar-se na direção do seu sofrimento, deixando-se afetar, e a partir daí, compreender o outro.

As demandas acolhidas pelos plantonistas podem ser desde uma dor física ou moral, padecimentos, sentimento de amargura, desgraças, desastres. Aos plantonistas é exigido uma disponibilidade para se deparar com o inesperado e, diante disso, buscar alternativas, desenvolvendo uma resiliência ao longo do processo.

A assistência psicológica no momento de sua urgência nem sempre é atendida devido à escassez dos recursos públicos para a saúde, que prioriza os casos mais graves, tendo como consequência uma especialização das demandas.

Existem algumas características para quem quer ser plantonista, tais como:

  • contemplar sem julgamento a variedade de condutas humanas;
  • ser humilde na aceitação das condições impostas por seus pacientes;
  • gostar do diálogo;
  • paixão pela literatura;
  • curiosidade para com o mundo, a vida e a cultura, além das quatro paredes do consultório;
  • fazer terapia pessoal;
  • não se deslumbrar;
  • saber e querer ouvir de forma paciente e interessada;
  • falar de forma compreensível e com amabilidade;
  • se posicionar no não-saber, ou seja, na singularidade daquele que procura ajuda.

As classificações de quadros psicopatológicos só contaminam a escuta do plantonista e dificulta enxergar a singularidade da pessoa. Por isso o não-saber é importante, para não estar tomado pela ânsia de ter que fazer algo, e de forma rápida. Na pressa de ter que fazer algo, escapam-se os sentimentos e a compreensão do momento atual.

Modelo de aconselhamento

O plantão psicológico é baseado no modelo de aconselhamento psicológico proposto por Carl Rogers, no qual busca-se dar importância ao cliente e não ao problema, à relação e não ao instrumento de avaliação, ao processo ao invés do resultado. Assim, esse aconselhamento psicológico se configura pela abertura do conselheiro ou plantonista para acolher qualquer demanda que se apresente. A ideia é promover um espaço em que o cliente se posicione diante de seu sofrimento e decida se o atendimento será um aconselhamento, uma orientação ou uma psicoterapia.

A primeira sistematização pública a respeito do plantão psicológico aconteceu em 1987 através do professor Dr. Miguel Mahfoud, o primeiro a falar do plantão como uma modalidade clínica e sobre sua inserção em diversos contextos. A palavra plantão está associada a um tipo de serviço específico, onde os profissionais se colocam à disposição de quaisquer pessoas que deles necessitem, em períodos de tempo previamente determinados e ininterruptos. Nesse sentido, o trabalho do plantonista é ajudar o cliente a ter uma visão mais ampla de si e do mundo, se tornando disponível para compreender e acolher a experiência deste, no momento de sua expressão da demanda.

Eficácia do plantão psicológico

A eficácia do plantão psicológico não está relacionada à resolução da demanda em questão, já que a prioridade não é a queixa, mas os significados que aquela pessoa constrói, e é preciso ajudá-la a refletir e buscar novas maneiras para lidar com as suas dificuldades. Quanto mais cedo a pessoa intervir na emergência do seu problema, melhores poderão ser os resultados, já que o problema não se instala ou perdura por dias seguidos, tirando a qualidade de vida das pessoas.

Em geral, as intervenções do plantão psicológico, o acolhimento dado a qualquer indivíduo em busca de ajuda, a ampliação de sentido a respeito do problema podem, em curto ou médio prazo aprofundarem a compreensão de como está sendo seu modo de existir. A maioria das pessoas não passa por uma escuta profissional para avaliar as suas crises e é importante criarmos uma cultura de busca de ajuda psicológica, não apenas em momento de crise mas também no dia a dia.

O plantão não é solução para tudo, existem muitos limites e a maioria se dá devido a grande desigualdade social e à defasagem dos serviços públicos.

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Referências:

DOESCHER, A.M.L. & HENRIQUES, W.M. Plantão psicológico: um encontro com o outro na urgência. Psicologia em Estudo.

REBOUÇAS, M.S.S. & DUTRA, E. Plantão psicológico: uma prática clínica da contemporaneidade. Rev. abordagem gestalt. 2010;10(1).

SCORSOLINI-COMIN, F. Plantão psicológico e o cuidado na urgência: panorama de pesquisas e intervenções. Psico-USF. 2015;20(1).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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