O que significa o termo passabilidade?

31/05/2021 às 17:06 Hipnose

O que significa o termo passabilidade?

Já notou que algumas pessoas passam mais despercebidas que outras em determinados contextos? Por que será? Veja no texto abaixo.

A palavra “passabilidade” é sinônimo de “passar por” e é amplamente discutida na comunidade transgênero. Esse termo é utilizado para se referir ao quanto um homem ou uma mulher trans “passam por” um homem ou mulher cisgênero (heteronormatividade).

É um termo baseado na suposição de que pessoas trans estão passando por algo que não é, e que uma mulher trans, por exemplo, não está passando, mas, sim, apenas “sendo”.

Heteronormatividade

A heteronormatividade é um conceito que diz respeito à ideia de que apenas os relacionamentos entre sexos opostos seriam “normais” ou “corretos”.

Então a passabilidade se refere à “capacidade” de pessoas trans transitarem em ambientes heteronormativos por “parecerem” um homem ou uma mulher.

As pessoas consideradas “cisgênero” são pessoas cujo gênero é o mesmo designado em seu nascimento, ou seja, uma pessoa que nasce com vagina seria identificada como uma mulher, independentemente de ser uma mulher hetero ou lésbica.

Discriminação

A maioria das pessoas trans passam a vida sendo discriminadas e agredidas apenas por serem trans. Os restringimentos por não “parecer” com isso ou aquilo é grande. Por exemplo, uma pessoa que aparenta ser “cisgênera” sofre menos violência e tem maiores chances de entrar no mercado de trabalho, além de receber maior aceitação social.

Por isso, a passabilidade pode se referir a uma pessoa que passa sempre pelo sexo/gênero com o qual se identifica e rompeu com todos que conheciam sua história de gênero. Assim, muitas pessoas trans acabam não relatando para as pessoas próximas o seu gênero/sexo atual e acabam ficando invisíveis perante à sociedade.

Muitas pessoas trans não tem espaço para reclamar às autoridades sobre queixas de discriminação ou mesmo registrar uma queixa na polícia se sofrer um crime de ódio, já que para muitos não mostra o seu sexo/gênero atual e essa atitude escancararia a tentativa de ocultar sua personalidade atual.

Contexto atual

Para ilustrar o termo, podemos citar mulheres que, ao longo da história, vestiam-se de homem para terem acesso a informações, à educação e até mesmo ao trabalho. Muitos homens passavam a reconhecer a mulher travestida como “outro homem” e, assim, criavam laços de amizade e relações profissionais. Hoje em dia o esforço de tentar passar é mais frequentemente praticado por pessoas trans, embora a passabilidade de mulheres que se travestem de homem são menos criticadas e melhor aceitas socialmente do que o contrário.

Independente de o indivíduo ter feito tratamento médico ou mudado legalmente o sexo independe da aceitação pela sociedade ou necessidade de aceitação pela pessoa trans.

Financeiro

O maior ou menor grau de passabilidade tem uma ligação direta com a independência financeira, algo difícil para pessoas trans alcançarem e que minam o seu equilíbrio emocional. Muitas delas passam por situações de violência doméstica e acabam sendo expulsas de casa muito jovens. A exclusão social e do mercado de trabalho leva essa comunidade, em geral, a se prostituir para sobreviver, o que os deixa ainda mais expostos à situações de violência. Pesquisas relatam que a cada 163 transexuais brasileiros mortos em 2018, 65% deles eram profissionais do sexo. Essas pessoas acabam entrando nesse caminho por conta da própria sobrevivência em seu sentido mais extremo. O Brasil é um dos países que mais mata pessoas trans e há um grande esforço para esclarecer a população sobre a importância das vidas trans.

Para verificar a invisibilidade de pessoas trans, basta se perguntar: quantas pessoas trans você vê no seu cotidiano? quantos professores trans você teve em sua escola?

Essas pessoas passam por invisíveis por não terem autorização para ser quem são, do contrário não são aceitas ou até mesmo mortas. Além disso, a remuneração costuma ser baixa e a maioria trabalha no ramo da estética e telemarketing.

Por que a passabilidade precisa acabar?

A passabilidade precisa acabar pois faz com que as pessoas trans tenham que fingir ser algo que não são para serem aceitas em sociedade e possam ter acesso às mesmas ferramentas e oportunidades que pessoas heteronormativas tem.

Ao presenciarmos a tentativa de passar por alguém que não se é, estamos dizendo para essa comunidade de pessoas que não podem ser quem são e como são, caso contrário não são dignos de receber auxílio e acesso a oportunidades.

O mundo caminha para ser cada vez mais inclusivo, para ouvir as necessidades das minorias e buscar soluções para integrá-las ao convívio social. Dessa forma, a pessoa trans não precisa se esconder para ser respeitada; suas habilidades e capacidades como ser humano são tão dignas quanto as de qualquer outra comunidade e precisam de espaço para se manifestar.

Não temos nada a perder com a inclusão das minorias e o acesso digno à saúde, emprego e qualidade de vida. Mas muitas pessoas são influenciadas de forma a ver pessoas trans como diferentes, específicas, sem capacidade para caminhar na direção da autorrealização, e isso não é uma verdade.

Passabilidade e emprego

O crescente esclarecimento sobre a diversidade tem chegado a milhares de pessoas em todo o país que, à medida que se tornam conscientes, passam a ser pontes de oportunidades para as pessoas trans. Quando alguém emprega uma pessoa trans está, na verdade, salvando uma vida. Empresas que integram a diversidade em sua equipe tendem a lucrar mais e podem atingir públicos-alvo ainda não acessados pelo mercado de trabalho.

No entanto, a ascensão desse profissional na hierarquia é um desafio. As pessoas trans conseguem ultrapassar essas barreiras através da educação, quando conseguem obter, mas ainda assim vivem em uma constante dificuldade de permanência, ou seja, de permanecer como são em seu ambiente de trabalho.

Hoje em dia se faz necessário a capacitação de empresas para abraçar a diversidade para inserir mais pessoas trans no mercado, já que uma das principais dificuldades desse grupo na busca por emprego são o preconceito e a falta de conhecimento por parte das empresas do que é diversidade e como criar um ambiente favorável para a integração dessas pessoas.

Caso você veja alguém passando por algum constrangimento ou perdendo oportunidades por não poder mostrar quem é, não fique parado. Leve essa informação a quem ainda não entende o conceito. É com a informação que alcançaremos cada vez mais respeito e igualdade entre as pessoas.

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Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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