Psicanálise e família

29/09/2021 às 19:44 Hipnose

Psicanálise e família

Uma das principais instituições que formam a personalidade do indivíduo, o impacto da família nem sempre é conhecido. Vem dar uma olhada na importância da família!

A formação da família

A família em sua configuração nuclear, formada por um pai, mãe e os filhos vivendo juntos no mesmo espaço e obedecendo uma rígida divisão dos papéis masculinos e femininos é um fenômeno recente na humanidade, fruto de importantes transformações ocorridas com o advento da industrialização na segunda metade do século 18, na Inglaterra. A família nuclear veio de uma necessidade política de constituição de um espaço privado separado do espaço público, passando à família a tarefa de assegurar a ordem social burguesa e de promover a formação das crianças em futuros cidadãos e trabalhadores. A partir deste modelo nuclear heteronormativo, a família foi considerada a matriz de identidade na constituição dos sujeitos.

Psicanálise e família

O estudo da família está presente na psicanálise desde a sua criação por Freud no século 19, com descrições de parentesco, funções e papéis que ordenam o funcionamento do grupo. Na contemporaneidade, esses lugares estão sendo experimentados com um pouco mais de fluidez, assim, a psicanálise volta-se para compreender as funções e nomeações rigidamente estipuladas e mantidas, buscando refletir e questionar, além de exercitar novas possibilidades de realidade e pensamento a respeito da família e sua qualidade de vida.

Uma das primeiras formulações acerca da família foi a proposição por Freud do modelo do Complexo de Édipo, teorizações a respeito dos lugares maternos e paternos, as teorizações do romance familiar, com noções de ordem simbólica e familiar, buscando indicar os ideais de subjetivação.

Definição de família

Algumas pesquisas foram realizadas para a reformulação do significado de família de forma a compor a edição do dicionário Houaiss de 2016. Assim, para os pesquisados, a família é o núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantêm entre si uma relação solidária, uma definição mais completa que a anterior, revelando transformações nas relações e nos vínculos na contemporaneidade, acompanhadas por uma alteração nas representações sociais.

Famílias diversas

Esse modelo familiar heteronormativo, formado por um casal heterossexual com filhos, tem passado por grandes mudanças nas últimas décadas, passando da família tradicional-patriarcal à família plural-contemporânea, que vem se configurando paralelamente a um intenso processo de transformações nas relações entre os sexos, os gêneros e as identificações, além de um novo agenciamento das funções de mãe e pai.

Observa-se um abalo nas estruturas dos sistemas simbólicos tais como a nomeação, a filiação, a maternidade e paternidade e a identidade sexuada, abrindo espaço para o aparecimento de novas formas de relação que tem relação direta com a teoria da sexualidade e do gênero.

Assim, novos arranjos familiares têm surgido na atualidade, ampliando o conceito de família, onde os lugares masculinos e femininos na família não coincidem com os ocupados pelos homens e pelas mulheres, ou seja, circulam e instigam a reflexão acerca das normas e do gênero.

Outros tipos de famílias

Existem diversos tipos de arranjos familiares na contemporaneidade, tais como famílias monoparentais por opção, pluriparentais, casais sem filhos por opção, família homoparental, e outras. A homoparentalidade, ou seja, a família formada por pais do mesmo sexo, vem ganhando visibilidade e sinaliza um momento de experimentação de construção de novas formas de ser e se relacionar, trazendo à tona as questões como a vivência de novos papeis e funções dentro do grupo familiar. Assim, há um movimento por parte dos homossexuais para serem reconhecidos como casais e famílias, um movimento que representa uma nova direção à norma familiar, derivada de intensos processos de negociação simbólica e ressignificações.

O que é parentalidade?

A parentalidade é um termo criado em detrimento dos termos “maternidade” e “paternidade” e destina-se à nomeação dos vínculos de parentesco e dos processos psicológicos que se desenvolvem a partir destes, buscando romper com o modelo tradicional de família, e retirando a ênfase do vínculo biológico existente entre o pai, mãe e os filhos, e enfatizando a dimensão psíquica desse vínculo. Assim, tornar-se pai ou mãe implica um trabalho interior que começa pela aceitação de que herdamos algo de nossos pais e do qual podemos nos tornar meros repetidores ou autores de um novo legado.

Funções de acordo com as posições

As funções geralmente atribuídas ao lugar de mãe se referem aos cuidados como assistir o filho material e emocionalmente, auxiliando na condição de desamparo inicial do bebê, bem como durante todo o seu desenvolvimento, além de dar um lugar ao pai, abrindo espaço para a presença do outro. Para o lugar do pai, concerne-se prioritariamente à tarefa de proibir: obstaculizar a aproximação excessiva do filho com a mãe, indicar as diferenças de lugares e funções dentro da família e transmitir as vozes do sociocultural. Apesar disso, é preciso entender que esses papéis são construções sociais

O papel da família

A família em nossa sociedade se constitui, com algumas exceções, como o primeiro grupo de referência para as crianças, sendo fonte de afeto, proteção e cuidados. Dentro do meio familiar, a criança aprende a significar suas primeiras ações, internalizando cotidianamente signos e símbolos que servem de mediadores fundamentais para a organização de seu pensamento e no desenvolvimento de suas funções psicológicas superiores.

Assim, a criança se desenvolve e acumula experiências por meio da relação com adultos e outras crianças mais velhas ou mais experientes, passando por um processo de individuação, ou seja, de afirmação enquanto sujeito único. A criança é um ser em desenvolvimento, logo, concorrem inúmeras causas e motivações sócio-individuais, entre as quais se encontram a motivação de classe, o papel de cada sujeito em seu meio e o sentimento de pertencimento da criança em relação ao seu grupo social. Assim, a família é fundamental para o desenvolvimento da identidade no indivíduo desde sua concepção inicial.

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Referências:

BARBOSA, I.G. & REIS, F.F.S. O papel da família na constituição da identidade na infância: a perspectiva veiculada em livros e periódicos de psicologia e a visão sócio-cultural dos vygotskyanos. sem data.

KRUPFER, M.C.M. A contribuição da psicanálise aos estudos sobre família e educação. Psicol. USP. 1992;3(1-2).

RODRIGUEZ, B.C. et al. Família e nomeação na contemporaneidade: uma reflexão psicanalítica. Est. Intern. Psicol. 2017;8(1).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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