Psicanálise e maternidade

25/09/2021 às 20:47 Hipnose

Psicanálise e maternidade

A maternidade é um dos períodos mais delicados na vida de uma mulher. Vamos dar uma olhada na maternidade do ponto de vista psicanalítico? Então vem conosco!

O tornar-se mãe

Segundo a psicanálise, a mulher ao tornar-se mãe passa uma por uma gama de sentimentos que podem ser difusos devido a uma fase de grandes transformações no corpo, na vida social e na saúde mental. Cada mulher se relaciona com esse período de transformação de forma diferente, levando em consideração sua história pessoal prévia e o contexto particular em que a gravidez se insere. Assim, diante de fatores internos e externos, não é incomum que a própria gestação e até mesmo após o nascimento do bebê, existam rupturas psíquicas que podem levar a mulher a vivenciar uma experiência de tristeza, insegurança, desânimo e desamparo. Tais ocorrências e o sofrimento psíquico não estão vinculados à gestação e ao nascimento do filho em si, mas tem raízes nos fatos ocorridos na vida da mulher.

O sofrimento psíquico na maternidade

Assim, o sofrimento psíquico durante a maternidade pode ser fruto de experiências traumáticas não simbolizadas, a fracassos de um ideal de realização, lutos não elaborados ou, ainda, turbulências emocionais que se instalam de forma abrupta. Por outro lado, situações como a maternidade podem eclodir conflitos intrapsíquicos antes desvelados, tornando a mãe mais vulnerável não apenas à situação emergente, mas com toda uma experiência anterior não simbolizada.

O psicanalista deve proporcionar uma experiência terapêutica que abra as possibilidades da mãe dar sentido à sua vida e às vicissitudes de sua existência. Busca-se oferecer uma experiência integradora, para que a partir dela, a mãe possa recuperar os objetos perdidos dentro de si, ou seja, os registros das experiências emocionais vividas.

Freud e a gravidez

Para Freud, o nascimento de um filho reativa nos pais a revivescência e a reprodução de seu próprio narcisismo. Assim, se acham sob a compulsão de atribuir todas as perfeições ao filho e ocultar e esquecer todas as deficiências dele. Assim, a doença, a morte, a renúncia ao prazer, as restrições à sua vontade própria não o atingirão, as leis da natureza e da sociedade são colocadas a seu favor e a criança será mais uma vez o centro e o âmago da criação. O amor dos pais é comovedor e possui fundo infantil, nada mais é do que senão o narcisismo dos pais renascido. Quando o bebê nasce prematuramente ou doente, as mães se sentem feridas em seu narcisismo, pois não podem atribuir ao filho as perfeições que outrora fantasiava. Surgem sentimentos de ambivalência na relação entre mãe e bebê, e o bebê que ela deveria amar é o mesmo bebê por quem sente desapontamento e consternação.

Maternidade e Winnicott

Para compreender as questões concernentes à maternidade, é preciso ultrapassar a imagem de doçura e do amor materno tão disseminados em nossa cultura. Assim, Winnicott traz uma nova compreensão, um olhar para o outro lado da moeda no que diz respeito à maternidade. Para o autor, a mãe odeia seu bebê desde o início, pois ele interfere em sua vida privada e é um obstáculo para a sua ocupação anterior. O bebê é impiedoso, tratando-a como lixo, como uma serva sem pagamento, sua escrava. Se a mãe falha com ele no início, sabe que ele se vingará para sempre. O autor também lembra com frequência que uma mãe é naturalmente boa, e precisa de uma escuta psicanalítica para dar voz a esses sentimentos ambivalentes que possam estar no estado de preocupação materna primária.

O planejamento da gravidez

Dentre as primeiras questões levantadas nas entrevistas com mães relaciona-se ao planejamento da gravidez. A maioria das mulheres relata ter engravidado por vontade do marido, indicação médica ou sugestão de terceiros. Muitas vezes pode ocorrer o planejamento da gravidez, mas sem o desejo de ter filhos. A exigência social é investida no lugar de desejo, na “impossibilidade” de não recusar a maternidade. Os relatos apontam para uma espécie de obrigatoriedade social de ter filhos, não mostrando uma subjetividade desejante por parte da mulher.

Outras queixas da maternidade

No início da gravidez, fantasias de morte tanto da mãe quanto do filho podem pairar, além do medo de doenças que possam surgir. As mães temem pela vida de seus filhos e se estes irão nascer saudáveis. As diversas mudanças físicas são relatadas durante o período gestacional, com queixas de doenças devido à gravidez e alterações fisiológicas como o aumento da sensibilidade, o que faz com que busquem suporte de pessoas mais próximas. As alterações tornam a mulher mais vulnerável, ocorrendo frequentes episódios de choro, tristeza, medos e somatizações, o que pode afetar a disponibilidade materna em relação ao filho. Preocupações financeiras também podem surgir nesse período, especialmente em relação às dificuldades financeiras, o desemprego do companheiro e a possível perda de suas atividades remuneratórias devido à instalação de um lugar materno, com perdas e ganhos em sua motivação.

O papel do psicanalista

Assim, o psicanalista se propõe a escutar o outro, ouvir seu sofrimento, acolher sua angústia, amparar seu desespero e guiá-lo pelo seu desamparo para despertar as potencialidades integrativas do indivíduo, que se encontra perdido em suas dores, mas pode se beneficiar de uma escuta acolhedora, possibilitando que a dor seja transformada em experiência, permitindo a elaboração da experiência emocional e aumento da resiliência.

A escuta psicanalítica para mulheres que acabaram de se tornar mães pode contribuir para o estabelecimento de um vínculo sadio entre mãe e bebê, ao mesmo tempo em que pode amparar e acolher o desamparo que acomete muitas mulheres, em situações de risco físico e psíquico e partos sem intercorrências puerperais ou neonatais. Assim, se volta para amparar mães e pais na difícil situação de nascimentos prematuros e doenças neonatais, familiares cuja qualidade de vida estão em situação baixa devido à dor, o desespero e o desamparo que acometem familiares de partos prematuros ou com problemas de saúde.

Assim, a compreensão da psicanálise acerca da maternidade dá voz às angústias e ambivalências do sentimento e da experiência de ser mãe.

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Referências:

PRATA, A.K.A.V. & CINTRA, E.M.U. Apoio e acolhimento à mulher que se torna mãe: uma escuta psicanalítica. Rev. latinoam. psicopatol. fundam. 2017;20(1).

STELLIN, R.M.R. et al. Processos de construção de maternagem. Feminilidade e maternagem: recursos psíquicos para o exercício da maternagem em suas singularidades. Estilos. clin. 2011;16(1).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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