Transtorno de personalidade borderline: o que é e como lidar?

18/05/2021 às 17:39 Hipnose

Transtorno de personalidade borderline: o que é e como lidar?

Já ouviu falar de pessoas consideradas “borderline”? Sabe o que significa? Vamos entender um pouco mais sobre esse transtorno.

Ao conjunto de comportamentos e sentimentos que definem um indivíduo chamamos de personalidade. É a singularidade de cada indivíduo, somado ao modo como ele próprio se vê. Para a maioria das pessoas, a personalidade é algo mais ou menos constante, já quando existem incongruências dentro dessa visão de si, podem surgir transtornos relacionados à personalidade.

Descrição

A palavra “borderline” deriva do inglês e significa “limítrofe”. O transtorno de personalidade borderline é um transtorno mental grave tendo como principal característica a instabilidade na regulação do afeto e autocontrole de impulsos, nos relacionamentos interpessoais e na imagem que se tem de si mesmo.

Consequências

Esse transtorno de personalidade pode afetar negativamente o bem estar e os relacionamentos interpessoais, apresentando dificuldades para lidar com as próprias emoções e controlar os impulsos. Segundo alguns pesquisadores, cerca de 1 a cada 100 pessoas tem o transtorno de personalidade borderline, sendo 75% deles pessoas do sexo feminino. Outras estatísticas revelam que 1 a 2% da população geral teria o transtorno desenvolvido, sendo que 10% são pacientes psiquiátricos e 20% acabam sendo internados em hospitais psiquiátricos.

Cerca de 10% dos pacientes acabam se suicidando, o que torna a mortalidade alta nesse transtorno.

Características

Pesquisadores informam que não é difícil reconhecer uma pessoa com transtorno de personalidade borderline pois os sintomas incomodam todos com quem ela se relaciona, principalmente os familiares. Podem manifestar tensão, aversividade, raiva, tristeza, vergonha, pânico, terror e sentimentos crônicos de vazio e solidão. Podem também apresentar uma exagerada reatividade no humor, mudam com grande rapidez de um estado para o outro, por exemplo, ao longo de um dia. Ideias superestimadas de mal estar, experiências de despersonalização e perda da percepção da realidade, além de sintomas semelhantes aos psicóticos também podem se apresentar nesse transtorno.

Indivíduos com transtorno de personalidade borderline podem apresentar as seguintes características:

  • Instabilidade emocional: apresentada numa espécie de hiper-reatividade nos afetos, enxergando situações como ótimas ou catastróficas, mudando de forma rápida entre os dois pólos.
  • Medo do abandono: característica que causa grande sofrimento para a pessoa com esse transtorno, sendo que cada possibilidade de rompimento de vínculos afetivos pode trazer reações negativas e afetar o bem estar desses sujeitos, mesmo quando a situação é imaginária.
  • Autopercepção prejudicada: podem apresentar dificuldade para caracterizarem e descreveram a si mesmos, seja com relação à sua imagem física ou emocional.
  • Impulsividade elevada: atitudes impulsivas tanto nas situações positivas, quanto agressivas, para gerar prazer ou alívio imediato, aumentando as chances de abuso de drogas, reações violentas ao estresse e agressões, gerando arrependimento posterior, o que causa grande sofrimento ao indivíduo.
  • Ideações suicidas: risco aumentado de suicíduo, sendo que esses indivíduos tendem a ameaçar tirar a própria vida em momentos de angústia. Também pode recorrer à automutilação.
  • Mudanças repentinas no humor.
  • Sentimentos extremos, sempre avaliando as situações como muito boas ou muito ruins.
  • Instabilidade nos relacionamentos como consequência dos sentimentos extremos e mudanças repentinas de humor.
  • Dificuldade para confiar, tendem a desconfiar até mesmo de pessoas próximas.

Impulsividade

Algumas pessoas com transtorno de personalidade borderline podem apresentar a impulsividade de uma forma autodestrutiva, auto-mutilação e ameaças e tentativas de suicíduo. A impulsividade os leva ao abuso de drogas, desordens alimentares, participação em orgias, explosões verbais e direção imprudente. Esses comportamentos estão enraizados no profundo medo do abandono, apresentando esforços desesperados para evitar estar sozinho, alternando entre idealização e desvalorização e relacionamentos marcados por frequentes discussões, rompimentos e outras estratégias de má adaptação que irritam e assustam as pessoas em seu entorno.

Causas

Ainda não se sabe exatamente o que causa o transtorno de personalidade borderline, mas já se sabe que existe um fator de predisposição genética, ou seja, é mais fácil desenvolver esse transtorno quando alguém da família já o desenvolveu. Também foram observadas mudanças na estrutura e no funcionamento do cérebro, principalmente em áreas de controle de impulsos e regulação emocional, mas ainda não se sabe se estes são os fatores determinantes para o seu desenvolvimento.

Estudos de neuroimagem demonstraram que pacientes com transtorno borderline apresentam uma estrutura cerebral diminuída: a amígdala e o hipocampo, ambos responsáveis pela regulação emocional.

É comum pessoas com o transtorno de personalidade borderline terem vivenciado traumas como abusos, abandono e negligência parental, relacionamentos abusivos e conflituosos, entre outros. Somando as experiências traumáticas na infância e os conflitos psicossociais, estes elementos podem agravar a desregulação emocional.

Tratamentos

O transtorno de personalidade borderline prejudica demasiadamente o impacto social. Os tratamentos atuais são pouco efetivos, mesmo somando o tratamento medicamentoso com o psicossocial. Os pacientes continuam experienciando desajustes no trabalho, nas relações interpessoais e na satisfação e funcionamento geral.

Os melhores resultados têm sido obtidos por meio da psicoterapia, cujos principais objetivos são os de aprimorar as habilidades comportamentais desses pacientes, com táticas específicas para regular as emoções, aumentar a motivação para mudanças e estruturação de seus ambientes. Requer uma assistência continuada, uma vez que a pessoa passa por um período de fragilização, já que muitas pessoas que convivem com esses pacientes acabam rotulando-as de “irresponsáveis”, “egoístas”, “desequilibradas” ou “problemáticas” por conta de sua instabilidade.

Adesão

Especialistas definem que a adesão ao tratamento é uma das condições primordiais para alcançar resultados satisfatórios. Em geral, não aderir a um tratamento e relutar em procurar ajuda só contribui para o agravamento do quadro. Por isso, se você observar algumas dessas características em você ou em alguém, avalie o quanto elas são prejudiciais para a vida dessa pessoa, e procure ajuda médica e psicoterapêutica.

Também é válido procurar complementar o tratamento com as terapias holísticas e complementares. Cuide de você e de sua saúde!

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Referências:

CARNEIRO, L.L.F. Borderline - no limite entre a loucura e a razão. Ciênc. cogn. 2004;3.

TANESI, P.H.V. et al. Adesão ao tratamento clínico do transtorno de personalidade borderline. Estud. psicol. 2007;12(1).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 10 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 15 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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