Psicologia hospitalar

10/07/2021 às 20:39 Hipnose

Psicologia hospitalar

A maioria das pessoas pensa no trabalho de um psicólogo em um consultório clínico, mas a Psicologia já alcançou diversos novos cenários de atuação. Você conhece o trabalho do psicólogo hospitalar?

Breve histórico

A psicologia hospitalar começou a se desenvolver após a Segunda Guerra Mundial, onde os contatos entre psicologia e medicina ainda se limitavam a funções diagnósticas. Em meados do século 19 surge o papel do psicólogo como estritamente clínico, estabelecendo a necessidade de estabelecer o psicólogo em outros ambientes, tais como o hospitalar.

Foi na década de 70 que os cursos de psicologia passaram a inserir na formação a Psicologia Hospitalar.

A especialidade Psicologia Hospitalar foi reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia, por meio da Resolução nº 014/2000 na qual apresenta instruções para o psicólogo obter o registro. Resoluções posteriores definiram os parâmetros para a atuação nesta área, sendo considerado relevante a avaliação e o acompanhamento psicológico aos pacientes hospitalizados e seus familiares, com utilização das teorias e técnicas adequadas. As resoluções trazem, ainda, diferentes tipos de intervenção, atende pacientes que se encontram em ambientes distintos (como unidades de terapia intensiva, enfermarias e ambulatórios) e aponta que tais procedimentos devem priorizar a relação paciente, família e equipe de saúde, por meio do contato interdisciplinar e multiprofissional dos profissionais da equipe.

O que é Psicologia Hospitalar?

A Psicologia Hospitalar é o campo de tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento, visando a minimização do sofrimento provocado pela hospitalização. É uma abordagem da Psicologia que volta seu olhar para os aspectos psicológicos da doença, tendo em vista que esta encontra-se repleta de subjetividade, bem como visa beneficiar o trabalho da equipe multidisciplinar.

Sua origem vem da Psicossomática e da Psicanálise, mas atualmente contempla todo um novo campo conceitual da prática clínica, com uma identidade totalmente diferente.

O que interessa à psicologia hospitalar não é a doença em si, mas como o doente se relaciona com seu sintoma, o que o paciente faz com sua doença, o significado que lhe confere, por meio da linguagem e da palavra.

O objetivo profissional do psicólogo hospitalar é ser aquele membro da equipe de saúde que possui o estetoscópio para auscultar o silêncio do sofrer, pois não existe doença e sujeito separados, mas um ser que adoece em sua vivência particular.

A psicologia hospitalar considera o ser humano em sua globalidade e integridade, única em suas condições pessoais, com seus direitos humanamente definidos e respeitados.

O adoecimento

Os aspectos psicológicos encontrados na doença são manifestações psíquicas da subjetividade humana, tais como: sentimentos, desejos, pensamentos, comportamentos, fantasias, lembranças, estilos de vida e o modo de adoecimento, intrínsecos de cada ser. Formam uma espécie de envoltório ao adoecimento e, dependendo do quadro, podem aparecer como causa do adoecimento, como fator desencadeador ou agravante do quadro clínico.

O processo de adoecimento implica em uma aceitação, onde o primeiro aspecto tangível é a ausência de saúde ou condições orgânicas para o enfrentamento de manifestações contrárias ao organismo. Ao adoecer, a pessoa com toda a sua subjetividade se depara com uma nova realidade patológica denominada doença, que se encontra instalada em seu próprio corpo, e assim produz inúmeros aspectos psicológicos que podem se revelar no paciente, na família e até mesmo na equipe profissional. Pelo fato de a doença ser algo real, a subjetividade do sujeito é sacudida.

Psicólogo no ambiente hospitalar

O psicólogo no ambiente hospitalar tem função ativa e real, não puramente interpretativa. Atua a partir da comunicação, reforçando o trabalho estrutural de adaptação do paciente e familiar ao enfrentamento da intensa crise. As intervenções se dão no nível de apoio, atenção, compreensão, suporte ao tratamento, clarificação dos sentimentos, esclarecimentos sobre a doença e fortalecimento dos vínculos familiares. Dessa forma, sua atuação é permeada de uma multiplicidade de solicitações, tais como: preparação do paciente para procedimentos pré e pós-operatórios, exames, auxílio no enfrentamento da doença e seu tratamento, atenção aos transtornos mentais associados à patologia, de modo que o paciente assuma uma postura ativa em seu processo de adoecimento e hospitalização.

O psicólogo hospitalar escuta o paciente e sustenta sua angústia por tempo suficiente para que o paciente possa refletir e assim realizar a elaboração simbólica de problemas como insônia, perda do senso de tempo e espaço. A maioria dos outros profissionais e a família e mesmo amigos não suportam ver o paciente angustiado e acabam não conseguindo lhes prestar tal serviço. O psicólogo mantém a angústia do paciente na sua frente para que possa falar dela, simboliza-la, dissolvê-la.

Diferença entre psicologia hospitalar e da saúde

A Psicologia da Saúde tem como objetivo compreender os fatores biológicos, comportamentais e sociais que influenciam na saúde e na doença. Os psicólogos da saúde trabalham com diferentes profissionais sanitários, realizando pesquisas e promovendo a intervenção clínica. Dessa forma, a psicologia da saúde é a disciplina ou campo de especialização da Psicologia que aplica princípios, técnicas e conhecimentos científicos para avaliar, diagnosticar, tratar, modificar e prevenir problemas físicos, mentais e quaisquer outros relevantes para os processos de saúde e doença. É um trabalho que pode ser realizado em diversos contextos: hospitais, centros de saúde comunitários, organizações não-governamentais e nas casas com indivíduos.

Já a Psicologia Hospitalar tem sua atenção voltada aos âmbitos secundário e terciário da atenção à saúde, atuando em instituições como atendimentos em ambulatórios e unidades de terapia intensiva, pronto atendimento, enfermarias, realizando avaliação diagnóstica, psicodiagnóstico, consultoria e interconsultoria com a equipe multidisciplinar.

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Referências:

AZEVÊDO, A.V.S. & CREPALDI, M.A. A psicologia no hospital geral: aspectos histórios, coceituais e práticos. Estud. psicol. 2016;33(4).

CANTARELLI, A.P.S. Novas abordagens da atuação do psicólogo no contexto hospitalar. Rev. SBPH. 2009;12(2).

CASTRO, E.K. & BORNHOLDT, E. Psicologia da saúde x psicologia hospitalar: definições e possibilidades de inserção profissional. Psicol. cienc. 2004;24(3).

MOSIMANN, L.T.N.Q. & LUSTOSA, M.A. A psicologia hospitalar e o hospital. Rev. SBPH. 2011;14(1).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 10 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 15 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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