Psicanálise e comportamentos abusivos

29/09/2021 às 19:38 Hipnose

Psicanálise e comportamentos abusivos

Dentre os comportamentos abusivos, um dos que mais matam pessoas no mundo é a violência contra mulheres. Vamos entender um pouco mais desse cenário? Então vem com a gente!

Violência contra a mulher

A violência contra a mulher é considerada um problema de saúde pública e uma violação dos direitos humanos. Tal fenômeno violento ocorre de forma silenciosa e bastante frequente desde longa data, em todo o mundo. Pesquisas no Brasil mostraram que cerca de 20% dos homens cometem violência contra suas parceiras íntimas ao longo da vida, número que aumenta para 42% na África do Sul. A violência contra mulheres é o tipo de violência que mais mata em mulheres entre 15 a 44 anos de idade, mais do que as mortes por câncer, malária, os acidentes de carro e as guerras. Dentre as formas de agressão contra a mulher, temos: assassinatos, estupros, abusos físicos, sexuais e emocionais, prostituição forçada, mutilação genital, violência racial e muitas outras. A ausência de informações suficientes que reflitam sobre a origem e as consequências desse tipo de violência, principalmente por parte dos homens que a protagonizam.

Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres

Segundo a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres, homens e mulheres sofrem violência de forma diferenciada, ao passo que homens tendem a ser vítimas nos espaços públicos, as mulheres são atingidas cotidianamente dentro de seus próprios lares, geralmente, por seus companheiros e familiares, como mostram estudos populacionais e em serviços de saúde. A violência contra a mulher, de acordo com as Nações Unidas (1993), se relaciona com quaisquer atos violentos que se baseiem no gênero, que provoque ou tenha probabilidade de provocar, danos físicos, sexuais e/ ou psicológicos, incluindo a ameaça para a prática dos referidos atos, a coerção ou privação arbitrária da liberdade em ambiente privado ou público, um fenômeno que alcança mulheres de todas as classes sociais, origens, regiões, estados civis, escolaridades, raças, orientações sexuais e idades.

Mapa da violência

Segundo o Mapa da Violência de 2015, o Brasil encontrava-se com uma taxa de 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres, ocupando a 54ª posição em um grupo de 83 países. Apenas El Salvador, Colômbia, Guatemala e a Federação Russa evidenciam taxas superiores às taxas brasileiras.

Além de destruir milhares de vidas, a violência contra as mulheres provoca danos físicos, depressão e comportamentos suicidas. Os danos da violência sobre a saúde da mulher podem assumir caráter de cronicidade, de modo que exigirá apoio adequado, tanto de profissionais quanto de familiares e amigos. Os dados obtidos no estudo conduzido pela Organização Mundial de Saúde, em 2005, em 10 países, revelaram que os danos à saúde mental e à qualidade de vida foram os mais enfatizados.

Abusos e situações traumáticas

A psicanálise relata que situações traumáticas tais como maus tratos na infância e/ou abusos diversos (emocionais, físicos e sexuais) são considerados fatores de relevância na história de vida de homens que perpetram violência contra suas parceiras íntimas.

Por trauma psíquico se entende toda impressão que o sistema nervoso tem dificuldade em abolir por meio do pensamento associativo ou de reação motora. Ao se falar em violência doméstica, o excesso, aquilo que é irrepresentável para o psiquismo está presente, sendo as agressões conjugais uma das situações traumáticas na história dessas mulheres, que vivem sob uma necessidade desses homens de controlar sua parceira, fazendo dela um espelho que reflete somente uma boa imagem de si mesmo e quando não encontram mais sucesso, a parceira é considerada uma inimiga. Nesse caso, o homem teme ser invadido pela angústia de aniquilamento, sendo, então, o comportamento violento (livre e incontida expressão da pulsão de morte) o seu escudo protetor. Trata-se de um medo infantil do desamparo que provoca dor, sofrimento e baixa resiliência.

O amor dos primeiros anos

Segundo a psicanálise, a perda do amor nos primeiros períodos da vida causa um dano permanente à autoestima dos indivíduos, perda que causa uma cicatriz narcísica e é importante subsídio ao estabelecimento do sentimento de inferioridade que dá origem, posteriormente, ao comportamento violento.

Uma história marcada pela violência e pelo desamparo desde tenra idade, propiciam traumas e prejuízos na constituição psíquica que se manifestarão através de dificuldades em diversas esferas, entre elas os relacionamentos interpessoais. Nesse contexto, parece quase impossível que se dê origem, na organização da personalidade, aos recursos que permitam os indivíduos a serem eficazes na tarefa de manejar situações de estresse intenso ou contínuo. Diante de novas situações sentidas como desamparo (como a possibilidade do abandono da companheira), esses homens lançam mão da violência como alternativa protetora ao sentimento de sobrecarga de estímulos que não são capazes de tolerar.

O que pode ser feito a respeito?

Autores acreditam que proporcionar espaços de escuta e reflexão a esses homens agressores seja o primeiro passo no caminho para a transformação da herança do passado traumático. Encontros de saúde mental que proporcionem vivências de respeito e de testemunho da dor do passado dão início à construção de outros modos de se vincular. Novos recursos psíquicos podem ser criados e exercidos por agressores conjugais através do contato terapêutico, conquistando diversas habilidades que os relacionamentos íntimos exigem para que se alcance prazer e satisfação, ao invés de desamor e violência.

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Referências:

BARRETTO, R.S. Relacionamentos abusivos: uma discussão dos entraves ao ponto final. Gênero. 2018;18(2).

GOMES, I.R.R. & FERNANDES, S.C.S. A permanência de mulheres em relacionamentos abusivos à luz da teoria da ação planejada. Acad. Paul. Psicol. 2018;38(94).

Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Violência doméstica e familiar contra a mulher: ligue 180 e tudo o que você precisa saber. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/denuncie-violencia-contra-a-mulher/violencia-contra-a-mulher#o-que-e-o-ciclo-da-violencia

STENZEL, G.Q.L. & LISBOA, C.S.M. Aprisionamento psíquico sob uma perspectiva psicanalítica: estudo de caso de um agressor conjugal. Ágora. 2017;20(3).


Conheça mais:

Rodrigo Huback

Rodrigo Huback Head Trainer de Practitioner PNL, Master PNL, Método B2S e Hipnose Clínica

Mais de 12 anos dedicados ao desenvolvimento humano; Mais de 18 anos empreendendo em alta performance; Pedagogo; Master Trainer em PNL; Master Trainer em Coach; Membro Trainer de Excelência na NLPEA; Membro Trainer da ANLP; Trainer Comportamental; Hipnoterapeuta.


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